O museu do milho e o cultivo do trigo

Por: Luiz Dalla Libera
31/07/2017 09:42 - Atualizado em 31/07/2017 09:42
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Dia dezoito de maio é Dia Internacional dos Museus, mas foi no dia 15 daquele mês que houve a abertura oficial do Museu do Milho Antônio Sirena, localizado no Parque de Exposições Rovilho Bortoluzzi, a 15a Semana dos Museus. Com o tema Museus e histórias controversas o Dizer Indizível.

Na abertura, o digníssimo prefeito senhor Avelino Menegolla fez uso da palavra, elogiando e comentando que o museu deve melhorar no sentido de resgatar as culturas e raízes antigas dos nossos antepassados. Se depender da minha pessoa, tenho muito interesse de amor a amor.

Abertura contou com o diretor do Departamento de Cultura Diego Gonçalves. Dos três mil museus instalados no Brasil, apenas 1000 participaram naquela semana. O Museu do Milho foi um deles, inclusive um dos selecionados entre os 12 do Brasil, onde foram expostas mais de 500 peças variáveis. A coordenação do Patrimônio memorável Difusão e Cultura, que esteve à frente das atividades foi o funcionário público M. Aguinetes Barfnecth, que não mediu esforços: dia, hora, sol ou chuva, para a organização e programação a fim de resgatar a história cultural que nossos saudosos antepassados viveram e fizeram,

Foram convidadas várias classes, idosos, turmas de alunos, peças de teatros, atividades, etc.

Eu me senti muito honrado pela minha dignidade, a ter recebido o convite a ser um dos expositores das peças da minha arte, e outras peças que as empresas me emprestaram. São elas: Moinho e Massas Ogliari, a semente do trigo, Mercado Toigo, as foicinhas de cortar pasto e trigo, Moinho Vivan La Bona, Polenta o chapéu de palha de trigo.

Além de expor as peças, me senti muito honrado que fui convidado a dar palestras culturais aos alunos das escolas que expressei assim: Ainda existe frase que diz que se o agricultor não vai pôr a semente no chão, o povo da cidade não come o pão. Concordo e discordo, porque antigamente e hoje mais ainda, antes de pôr a semente na terra depende do trabalho urbano. Naquela época, a única ferramenta agrícola que comprava com os cabos era as foicinhas de cortar pasto e trigo, eram importadas da Áustria. As outras só compravam, a madeira nós mesmo fazíamos.

O maior plantio do trigo era na enxada em terrenos montanhosos e recém a derrubada do mato nativo em setembro, colhíamos a safra do milho após oito meses em maio, plantava o trigo que exigia o clima frio.

Os nonos diziam: SE VOLEMO MANGIAR IL PAM BISONHA VESTIRE IL GABAN, traduz se queremos comer o pão precisava vestir a roupa de proteção, o casacão. O trigo não queria ou hoje ainda não quer geada após largar a espiga, não que prejudica o cacho, mas sim, na parte viçosa do último nó.

Aproximava-se a colheita quando a palha ficava loura antes do corte geral, as mulheres e nonas colhiam com muito cuidado as partes que tinham palha boa e branca para confeccionar as suas artes que eram muito necessárias para o uso familiar. Ex: faziam os chapéus para o trabalho nos mercados só vendiam chapéus de pano, faziam as mochilas para as alunas carregarem o material escolar em italiano (o nome era SPORTA) que também levavam na roça litros de água, frutas, lanche reforçado na colheita do trigo com o bom vinho, porque a tarde trabalhavam das duas horas até as sete da noite, a sporta. As mulheres também usavam quando a vizinha ganhava o nenê e levava de presente uma bonita galinha caipira para fazer o regime dos 40, dias disso é verdade porque eu fui ajudante da minha mãe.

Voltando a colheita do trigo após cortado, era marrado em feixes com cipó ou taquaras lascadas, puxava nos paióis a maior parte superior da caixa das carroças parecida com um fogãozinho que ficava armazenado nos paióis era muito demorado pelas distâncias. Alguns paióis até mais de dois meses, porque existiam poucas trilhadeiras. As que malhavam na região eram muito demoradas pelas distâncias alguns paióis era a própria roça com difícil acesso, trilhadeira pesadas, etc.

A média da colheita era meia tonelada por família deixava estocado o trigo do consumo durante o ano, a sobra que era uma das boas economias da família, vendiam aos moinhos do comércio.

Isto, é um pouco de história do trigo de antigamente ao colocar a semente no chão até reverter em grãos até nos celeiros caseiros.


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