Como era o Sete de Setembro nos anos 50 e 60 em Xaxim?

Por: Luiz Dalla Libera
15/09/2017 18:05 - Atualizado em 15/09/2017 18:05
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Desfile de Sete de Setembro em Xaxim em 1963 - Foto retirada do grupo de Facebook 'Das Antigas Xaxim' - Desfile de Sete de Setembro em Xaxim em 1963 - Foto retirada do grupo de Facebook 'Das Antigas Xaxim' -

Como escrevi na coluna passada que estávamos com mais de oitenta dias sem ter um feriado nacional, mas é bom lembrar que o dia Sete de Setembro, comemorado na semana passada, é um dos feriados nacionais mais importantes, que é o dia da comemoração da Independência Brasileira, mas ainda hoje em pleno século XXI, há brasileiros ricos que preferem aplicar suas fortunas lá fora, em banco europeus e norte-americanos, muitas vezes se declaram patriotas da boca para fora...

Estou muito lembrado, como era comemorado o dia Sete de Setembro nos anos em início da década de cinquenta. Eu morava e estudava na Linha Limeira, nem todos os anos comemorava o dia cívico na escola, talvez por recursos financeiros e perguntávamos à professora, vamos comemorar e fazer o desfile e a festa dia sete!

A professora respondia: “Só se vocês se organizarem com os uniformes”, que era o maior problema devido aos recursos financeiros naquela época, mas dávamos um jeitinho, naquele tempo o agricultor não guardava o dinheiro mensal. Era só nas safras, quando a economia era o plantio de feijão, trigo e porcos. Mas também os suínos na entressafra, que era a maior renda da família.

Existia dificuldade sim de um lado, mas facilidade de outro. Compravam no comércio com uma caderneta e acertavam até um ano sem juro ou acréscimo, mas assim mesmo árduo e custoso, sempre tinha que pagar. No entanto, sempre davam um jeito de o mini uniforme era as camisetas brancas para meninos e meninas. As meninas só usavam saia azul e os meninos calças compridas ou curtas. Não eram bermudas, mas sim a verdadeira calça até o joelho.

O falecido pai tinha mais de 100 hectares de terra, mas girava pouco dinheiro. Mesmo assim, sempre dávamos um jeitinho. As minhas irmãs tingiam as saias com tinta azul, a mãe restaurou as calças de casamento do pai para mim, que tinha mais de quinze anos de uso.

O dia era cívico e de festa era assim: iniciava abertura de manhã com discursos de mensagens oratórias em homenagem à Pátria pelos alunos. Alguns alunos bons de leitura faziam mensagem à Pátria e à Independência, livres de pontuação. Não tinha encerramento do dia após o almoço, pelo contrário, continuava com jogos e diversão. O maior jogo era as partidas de bola com caçador. O tamanho da bola 25% da bola de futebol e se jogava apenas com os pés, não usava-se as mãos. Atirava-se a bola um contra o outro, aquele que batia ou não segurava a bola batia ou não se segurava, deixava cair no chão e chamava de morto. Os “mortos” saíam da quadra o último que sobrava pertencia ao time vencedor. O campo era igual a uma quadra do basquete ou vôlei.

Os atletas eram meninos contra as meninas, se tinha mais meninos ou meninos se emprestavam, a fim de ficar uma igualdade a cada lado. Aquele jogo não era só no dia sete, mas todos os dias de aula na hora de recreio durante o dia seguiam com mais jogos. Um joguinho disputado que me lembro era o jogo do ovo, colocava um jogo de galinha em uma colher de sopa, corriam mais de quinze metros sem segurar o ovo com as mãos, o aluno chegava por primeiro sem deixar cair o ovo ficava em primeiro lugar.

Tempos sofridos, mas divertidos, sem dinheiro e recursos, mas verdadeiros patriotas brasileiros. Hoje, mudou muito as comemorações cívicas do dia Sete de Setembro. As autoridades políticas daquela época eram honestas e de boa conduta, hoje muitas passaram a ser corruptas, pois não respeitam mais a Pátria brasileira. Pensam apenas nas riquezas próprias injustas e faltosas, ao custo do suor e os impostos dos brasileiros.


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