Entrevista | Presidente da Fiesc aguarda audiência com Moisés, deposita confiança em Bolsonaro e defende fortes investimentos em infraestrutura

Por: Marcos Schettini
09/01/2019 16:05
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Marcos Campos/Divulgação

Mario Cezar de Aguiar, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini nesta terça-feira (08). Motivado pelo Governo Bolsonaro, o líder empresarial lidera agendas de investimentos necessários para alavancar o crescimento de Santa Catarina. Aguarda, ainda, o chamamento do governador para discutir caminhos de desenvolvimento da indústria. Disse estar convicto de que os impostos, como ocorreu com o feijão e o arroz, não serão elevados onerando a já pesadíssima carga tributária. Ao falar de temas polêmicos, pediu que a oposição, no Congresso Nacional, seja inteligente e defenda os interesses do Brasil. Confira:

Marcos Schettini: Como o senhor vê esses novos tempos com o Governo Jair Bolsonaro?

Mario Cezar de Aguiar: Estamos com uma expectativa muito positiva, digo isso baseado num índice de confiança do empresário catarinense, sendo o mais favorável até hoje. Estamos com o índice de aceitação em 67%, que é muito elevado. Esses números demonstram a intenção do empresariado, falo especificamente do industrial, em fazer investimentos. Havendo investimentos, a consequência é crescimento econômico, geração de emprego e aumento da arrecadação do Estado. Então o empresariado industrial de Santa Catarina deposita muita confiança no governo de Jair Bolsonaro.

Schettini: Quais são as mudanças que devem ser feitas para a indústria não ser tão penalizada com impostos?

Mario: O próprio ministro Paulo Guedes concorda que há uma necessidade para tornar a indústria brasileira, a economia brasileira, competitiva, reduzindo essa carga tributária tão onerosa, que é a maior ou a segunda maior do mundo. Isso acaba tirando competitividade do Brasil. Nós acreditamos que não é aumentando impostos que o governo vai arrecadar mais, mas sim que se deve haver um incentivo ao setor produtivo para aumentar a atividade econômica e, consequentemente, a arrecadação de tributos. É uma equação que o novo governo sabe que existe, mas que precisa ser sem grandes impactos, de forma gradativa e bem estudada. Sem sombra de dúvidas, deve haver uma redução da carga tributária, para que haja o equilíbrio fiscal. É necessário reduzir a despesa do governo, reduzir o tamanho da estrutura para aumentar a eficiência e combater a sonegação. São várias medidas que podem ser realizadas para almejar um crescimento econômico do Brasil.

Schettini: Como o senhor avalia a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. O que isso pode acarretar para a indústria?

Mario: Qualquer mudança neste sentido provoca benefícios e prejuízos. Isso tem que ser muito bem estudado. Eu sei que o setor da região do Oeste catarinense tem uma relação muito forte com o mercado árabe, então alguns conflitos realmente existem. Mas, neste aspecto, a Federação não tem nenhum pronunciamento. São intenções que devem ser muito bem avaliadas, para saber quais são os benefícios e quais são os prejuízos.

Schettini: A iniciativa do governador Moisés em taxar o arroz e o feijão, alimentação principal dos brasileiros, não seria um pouco perigosa?

Mario: Esse assunto está muito controverso. Na verdade não é essa a informação que nós temos. O governador tem colocado que vai abrir o setor produtivo, que vai ter muita prudência nesta mudança de tributação. Gostaria de aproveitar a oportunidade para falar que, na nossa visão, o incentivo não é só com renúncia fiscal. Nós temos que desmitificar essa questão. Na verdade, o que existe no Brasil é uma guerra fiscal entre os Estados que obriga cada Estado, para receber a manutenção dos investimentos, criar incentivos que, por muitas vezes, podem criar algumas distorções. Isso tem que ser avaliado a cada ano, para verificar quais benefícios deverão ser aumentados, quais podem ser diminuídos. Mas tudo isso precisa passar por um estudo muito profundo, havendo interesse do Estado, da sociedade e do setor produtivo. Parece-me que o governador vai ouvir o setor produtivo para que não haja prejuízos. Estamos confiando, até porque o governador assumiu um compromisso aqui na Fiesc de não incrementar impostos.

Schettini: Então ele está roendo a palavra?

Mario: Nós apostamos no documento que ele assinou conosco. No discurso dele, disse que vai conversar com o setor produtivo. A Federação das Indústrias está aberta para essa conversa e esperamos que, o mais rápido possível, possamos conversar com o governador e expor as razões do porque recebemos incentivos e não o aumento da carga tributária.

Schettini: A Fiesc conversou com os parlamentares catarinenses para discutir sobre a questão da infraestrutura no Estado?

Mario: No mês de setembro, apresentamos nossa agenda, que abrange também a infraestrutura. Nós tivemos a participação de representantes da própria concessionária, do Dnit, alguns senadores, deputados, vereadores e prefeitos. Então temos nossa Agenda Estratégica da Indústria, mostrando quais são os investimentos necessários para Santa Catarina. Há uma quantificação em termo de valores e quais são nossas prioridades destes investimentos. Isso é baseado num grande conselho que nós criamos na Federação das Indústrias, que é composto por 40 entidades de profissionais, ligadas à área de infraestrutura. Não é só uma questão nossa, porque neste conselho existem representantes do governo, da Polícia Rodoviária Federal e Estadual, do Conselho Regional de Engenharia, de Sindicatos de Engenharia, do próprio Dnit, da Associação Catarinense de Medicina, porque quando se fala em infraestrutura viária tem que se falar da segurança das pessoas, que abrange o desempenho dos hospitais. Esse grande conselho referendou nossa Agenda Estratégica da Indústria, que é da Fiesc, mas tem o aval deste grupo composto por 40 entidades.

Schettini: Qual é a senha ideal para colocar o Brasil novamente no caminho do desenvolvimento?

Mario: Sem sombra de dúvidas, a Reforma Previdenciária é urgente. É uma sangria dos cofres públicos e precisa-se equacionar esta questão. Tem que retomar os investimentos. Nossa infraestrutura, além de não receber investimentos para novas modalidades, faz com que deterioramos o patrimônio criado ao longo dos anos. Sem infraestrutura o Estado e o país não crescem. Precisamos ter um olhar muito atento para isso. O Estado precisa ser mais eficiente, menos oneroso e menos inchado, para que possamos dar a resposta que a sociedade necessita. O Governo Federal está muito bem avaliado e esperamos que o Congresso também prospere bem, sempre olhando para o benefício do Brasil, nunca para interesses pessoais e partidários.

Schettini: A briga entre direita e esquerda no Congresso pode por em xeque o crescimento do Brasil...

Mario: A Fiesc tem mantido uma aproximação historicamente muito forte com o Fórum Parlamentar Catarinense, que faz um trabalho suprapartidário, unindo os interesses do Estado. Em toda democracia sempre há a questão da oposição que, embora importante, esperamos que ela seja inteligente, ligada aos interesses da nação, nunca para interesses partidários. Esse é um grande desejo da sociedade brasileira, que ficou muito bem demonstrado na eleição. Sabemos que o país passou por um processo muito polarizado, que não é bom para nós. Precisamos ter um governo que unifique o país novamente, buscando interesses comuns.

Schettini: Com quais olhos a Fiesc vê a redução da maioridade penal e a facilitação para posse de armas?

Mario: Este tipo de assunto não discutimos na Federação. Nós temos que defender os interesses da indústria e da economia. Sabemos que o presidente Bolsonaro encontrou um bom ministro e esses assuntos têm que ser muito bem discutidos com a sociedade. As questões do desarmamento e da maioridade penal possuem instâncias adequadas para discutirem isso. Não é um papel da Federação das Indústrias discutir este tipo de assunto. Mas nós defendemos que precisamos ter um ambiente favorável ao desenvolvimento dos negócios e para isso precisamos ter um país com segurança. Então, todas as medidas que forem adotadas e muito bem discutidas com a sociedade, para aumentar a segurança, serão apoiadas pela nossa entidade e pelos industriais catarinenses.

Schettini: Qual será a relação que o senhor vai manter com os novos e veteranos deputados?

Mario: Nós vamos continuar nosso trabalho, sempre defendendo os interesses da indústria de Santa Catarina. Achamos importante a aproximação com o Legislativo e vamos manter isso. Vamos conversar com os deputados em relação aos projetos de lei que são de interesse do setor industrial, mas sempre olhando com muito equilíbrio, sempre olhando o bem maior, que é o bem da sociedade catarinense.

Schettini: Quais são as pautas mais urgentes para Santa Catarina?

Mario: A questão da infraestrutura é uma questão chave para o desenvolvimento de Santa Catarina. A região Oeste sabe muito bem a importância em fomentar o agronegócio com insumos importantes, como o milho. As rodovias necessitam de investimentos emergenciais e urgentes, fazendo com que o Estado tenha condições de continuar crescendo, que é o que vem acontecendo. Mas isso corre certos riscos. Precisamos fazer investimentos nas nossas rodovias e, em médio prazo, implantar as ferrovias. Inicialmente vamos ter que concluir os projetos em Santa Catarina, interligando-as à malha ferroviária nacional. A melhoria dos nossos aeroportos, inclusive a Federação das Indústrias está levando uma sugestão para a sociedade do Oeste catarinense, para discutir quais são, na nossa visão, baseado em conhecimento técnico, as necessidades do aeroporto de Chapecó, que é um instrumento importante para o desenvolvimento da região. É um compromisso que temos com a Associação Empresarial de Chapecó. Também a melhoria dos nossos portos, já que Santa Catarina é uma plataforma logística importante e tem condições de ser ainda maior em termos de cargas nacionais e internacionais.

Schettini: As Federações e a Confederação irão se reunir com o presidente Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes?

Mario: Tanto a Federação quando a Confederação Nacional da Indústria, temos um bom diálogo e certamente, num momento oportuno, será solicitada uma audiência com o presidente e os ministros. Inclusive nós, da Federação, já solicitamos uma audiência com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, para levar as demandas de Santa Catarina e apresentar essa Agenda Estratégica da Indústria, como disse anteriormente, que foi referendada por 40 entidades, mostrando então as necessidades de investimento para sensibilizar o ministro e verificar quais são as soluções possíveis para a melhoria da infraestrutura de Santa Catarina.

Schettini: Qual é a saída para o fortalecimento do Sistema S?

Mario: Os recursos do Sistema S são valores pagos pelos empresários, sobre a folha de pagamento, e estão previstos na Constituição Federal. Nós estamos trabalhando sempre na melhoria da eficiência, achamos que fazemos um bom trabalho e vamos melhorá-lo cada vez mais. A manutenção do Sistema S é extremamente importante na capacitação profissional dos nossos trabalhadores, na melhoria da saúde e segurança do trabalho. É uma matéria totalmente defensável pelo resultado que oferece para a sociedade econômica brasileira.


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