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Entrevista | Gean Loureiro pede expulsão da parte podre do MDB Nacional

Por: Marcos Schettini
08/05/2019 18:10 - Atualizado em 08/05/2019 18:13
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Com uma série de novas ações em ritmo pleno na capital catarinense, o prefeito Gean Loureiro concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini, nesta quarta-feira (08). No gabinete, falou das obras e projetos realizados, defendeu a expulsão da cúpula nacional do MDB e clama por um líder que integre a sigla em Santa Catarina. Confira:

Schettini: Qual ritmo de trabalho o senhor tem adotado na administração?

Gean Loureiro: O administrador público, principalmente aquele que está capitaneando um processo, precisa dar o exemplo. Quando não se tem o comando do prefeito, controlando todas as ações, estabelecendo diretrizes e metas a serem cumpridas, estando presente permanentemente na comunidade, fica mais difícil das coisas acontecerem. O primeiro ano foi de ajuste da casa, quando Florianópolis era a pior capital do Brasil na gestão fiscal da prefeitura, enfrentamos greves, mas reorganizamos e permitimos a cidade a recuperar certidões e poder voltar a investir. Em 2018, retomamos financiamentos e possibilidades de obras, concluindo todas as inacabadas. Temos agora uma ampla programação de investimentos, deixando muito claro que todos os dias temos o início ou inauguração de uma obra acontecendo em Florianópolis, que é o que a cidade esperava.

Schettini: A fiscalização do cidadão é essencial nesta leitura de investimentos?

Gean Loureiro: Nós temos uma metodologia e estamos realizando mais de 92 obras de grande porte, com mais de R$ 200 milhões em investimentos. Nas obras como na avenida Mauro Ramos, a principal via do Centro da cidade no fluxo de veículos, nós visitamos todo o comércio, os condomínios, onde eu entrego pessoalmente uma correspondência apresentando o número do subprefeito responsável, o custo e o nome da empresa que vai realizar a obra, ainda pedindo a ajuda na fiscalização para que tenhamos uma obra bem executada. Isso vai envolvendo toda a população nesta participação. Nós temos um mapeamento de 187 praças de Florianópolis. Vamos recuperar todas elas. Conseguimos inaugurar a UPA do Continente, uma obra prometida há seis anos, que era esperada há muito tempo. Agora também temos as primeiras análises que já demonstram a despoluição da Beira-Mar. Isso é real. Vai acontecer, vamos realizar o aumento da faixa de areia, como também faremos em Canasvieiras, no segundo semestre. Ou seja, Florianópolis tem uma série de expectativas e vive um grande momento. A própria obra da terceira pista da Via Expressa ajudou muito na mobilidade da região. Era uma briga que eu tinha, para isso acontecer, desde quando eu era deputado estadual. Fizemos uma pequena parte do grande projeto, mas uma etapa que trouxe um excelente resultado. Esse é nosso objetivo, estar sempre presente, junto às comunidades, por isso fico menos no gabinete e mais na rua, com muita atuação e envolvimento com líderes comunitários e empresariais, vereadores, participando ao lado de toda população, para ter um resultado mais efetivo na gestão.

Schettini: Quais novas ações estão sendo realizadas na Segurança Pública?

Gean Loureiro: É um trabalho de equipe. Com o professor Alceu de Oliveira Pinto Júnior, que já foi secretário de Segurança e no período dele houve uma queda na criminalidade, nós tivemos condições de traçar um plano de 147 ações voltadas à tecnologia e o apoio à mobilidade. Então, o estudante quando chegar ao colégio ele vai passar seu cartão ou digital, que irá avisar aos pais que ele chegou e saiu da escola. Nós teremos drones monitorando praças e invasões clandestinas. Nós vamos ter totens que irão identificar e dará a oportunidade das pessoas conversarem e passarem essa mensagem de segurança. Teremos uma maior disposição e estrutura da Guarda Municipal, com as 25 novas viaturas zero quilômetro. Vamos atacar pontos que a estatística demonstra que possui mais acidentes de trânsito, para atuar e diminuí-los com intensidade. Nós trabalhamos com base em indicadores, inteligência, uso da tecnologia e muito esforço para obtermos resultado. É assim na segurança, na mobilidade, desenvolvimento econômico. Na saúde, por exemplo, o Ministério da Saúde já apontou Florianópolis como a melhor atenção da saúde básica de todo o Brasil.

Schettini: Como funcionará o programa “Alô Doutor”?

Gean Loureiro: Florianópolis já tem um número maior do que o orientado pelo Ministério da Saúde, de Unidades de Pronto Atendimento 24h. Nós temos no Norte e no Sul da ilha, além da região continental. Isso funciona todos os dias. Mas o “Alô Doutor” será um pré-atendimento clínico. Aquele paciente que quiser agendar uma consulta, ele liga e vai receber a orientação para tomar algum medicamento ou será enviada uma ambulância do Samu. Ou então, ainda, será feito um agendamento imediato ou programado. O paciente terá uma orientação médica 24h. Isso faz com que diminua a pressão sobre as consultas nos postos de saúde, pois muitos precisam de apenas uma orientação e não de uma consulta propriamente dita.

Schettini: Prefeito, 2020 vem aí...

Gean Loureiro: Nós estamos fazendo um trabalho para cumprir os quatro anos na plenitude. Nós tivemos os dois primeiros anos mais difíceis para organizar a casa, mas agora estamos com o pé no acelerador. É óbvio que quatro anos nem sempre é suficiente para concluir tudo aquilo que se deseja, mas a eleição e as questões do partido serão discutidas no ano que vem. Nosso foco agora é ter resultado do trabalho que vem acontecendo. Eu sempre digo, eleição é consequência do trabalho. Com um bom trabalho, a população irá reconhecer.

Schettini: Qual é o problema do MDB hoje? Gean Loureiro sai da sigla?

Gean Loureiro: Eu não tenho nenhum problema com as lideranças estaduais, por sinal tenho uma relação muito próxima e pessoal, inclusive de amizade, com as lideranças catarinenses. O problema do MDB são as questões nacionais que nos envergonham. Não se toma nenhuma atitude para expulsar e afastar aqueles que têm um comprometimento com atitudes ilícitas, já comprovadas, envolvendo-se em escândalos nacionais e não se toma uma providência. Não dá para ficar num partido comandado por alguém que está totalmente comprometido, réu em dezenas de processos. A população está começando a exigir uma postura dos políticos e nós não conseguimos justificar isso perante as pessoas. Por mais que a gente entenda que o MDB tenha uma história, um partido que trouxe de volta a democracia, tem um estilo de convivência muito popular com as pessoas, no qual eu me identifico, mas não posso me identificar com algumas posturas. A minha expectativa é que o MDB possa tomar uma postura mais digna, aguardada por todos seus filiados, que é a expulsão definitiva e uma mudança neste quadro. Temos uma pequena perspectiva de isso acontecer. Se não acontecer, confesso que me sinto muito desconfortável no MDB. As pessoas acabam identificando mais meu trabalho do que minha relação político-partidária. Neste momento meu foco é trabalho, mas em um momento oportuno nós iremos avaliar se é possível ainda continuar no MDB. Obviamente, neste mundo político, nós conversamos e eu tenho bom relacionamento com todos. Nós vamos avaliar aquele que tenha melhores propostas, com lideranças que sejam exemplos para o Brasil e para nosso Estado. Que tenha uma construção que vá ao encontro do que a população espera.

Schettini: Quem são estes nomes para expulsão? Michel Temer, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Moreira Franco?

Gean Loureiro: Exatamente, não podemos imaginar que essas lideranças estão presas e nós vamos ser comandados por alguém de dentro da cadeia. O outro tem dezenas de processos, comprovações de tudo isso. Eu sou um ser partidário, sempre trabalhei e defendi as bandeiras do MDB, mas não podemos aceitar aquilo que entendemos ser incorreto. Como vamos conviver lado a lado, sendo comandados por pessoas ligadas a este grupo político. É necessária uma renovação completa no MDB. Se isso não acontecer, o partido está fadado ao fracasso eleitoral e ao não reconhecimento da população e dos eleitores, muito menos ter a oportunidade de apresentar uma política em um novo modelo. Não discuto esse negócio de nova e velha política, acho que temos a boa política, que leva em conta a postura ética, novos momentos de austeridade da máquina pública, com uma gestão muito mais responsável da administração, estando próximo da população. Entendendo que é preciso fazer a verdadeira transformação para mudar a vida das pessoas para melhor.

Schettini: O MDB hoje tem um racha em Santa Catarina. Isso mudou a lógica para trabalhar na subtração?

Gean Loureiro: O MDB é um partido muito grande, com muitas lideranças. Vive um conflito dentro da bancada estadual. Eu fui deputado na legislatura passada, com dez deputados, quando tínhamos uma integração total na bancada. Todos esses conflitos atuais acabam refletindo, com dificuldades em disputas por espaço político e dentro da bancada. Parece que está faltando uma liderança para comandar um processo de integração, é isso talvez que o estado possa precisar, que integre as bancadas estadual e federal, os prefeitos e vereadores. O MDB é um partido de história, com grandes lideranças em Santa Catarina, mas que precisa fazer uma grande força para mudar as coisas no Brasil. Se não mudar em nível nacional, não tem como ficar.


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