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Entrevista | Paulo Bauer mantém ritmo em Brasília, evita Jorginho Mello e desenha Joinville para 2020

Por: Marcos Schettini
30/10/2019 01:34 - Atualizado em 30/10/2019 09:09
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Roque de Sá/Senado

Secretário Especial da Casa Civil para o Senado Federal, o catarinense Paulo Bauer não deixou Brasília após encerrar seu mandato de oito anos como senador. Convidado pelo ministro Onyx Lorenzoni para assumir interlocução com a Câmara Alta, o ex-parlamentar, agora próximo do presidente Jair Bolsonaro, recebe diariamente lideranças de todo o Brasil. Um ano após a derrota eleitoral, evitou comentar sobre atritos com o senador Jorginho Mello. Ainda, negou conflitos entre João Dória e Aécio Neves no PSDB Nacional e garantiu que há possibilidade de disputar a Prefeitura de Joinville em 2020. Tranquilo diante de acusações que considera “infundadas”, Bauer concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini. Confira:


Marcos Schettini: A eleição de 2018 foi cruel para todos os partidos. O que melhorou e piorou no Brasil?

Paulo Bauer: Eu não diria que foi cruel para os partidos. Aquela eleição estabeleceu o início de uma nova fase na vida política brasileira. A partir dela, no Brasil, teremos eleições que vão contar com maior participação da população, sem intermediários. As propostas e programas não terão maior valor ou importância do que a realidade que se encontra na vida das pessoas e na gestão pública, ou seja, as eleições servirão muito mais para discutir como resolver os problemas do que para planejar novos programas e novas políticas públicas sem resolver e equacionar o que incomoda o eleitor e dificulta a administração pública. Sem dúvidas, o que melhorou no Brasil foi a transparência na gestão pública e a eliminação da corrupção que tomava conta dela. Apesar das dificuldades, do pouco tempo de governo e da demora na implementação de mudanças estruturais, não vejo piora na vida, vejo importante melhora na vida dos brasileiros e do governo, por conta do resultado eleitoral.

Schettini: O senhor foi atacado por acusações ainda pendentes. Por que o Brasil condena antes de provar?

Bauer: Eu fui atacado por um empresário que cometeu crimes. Na tentativa de obter benefícios que o livrasse de penalidade jurídicas, fez graves acusações contra mim. Felizmente, a Procuradoria-Geral da República já encaminhou ao Superior Tribunal Federal pedido de anulação do benefício da delação premiada para aquele empresário, por ter constatado que o mesmo mentiu, não ofereceu provas e também omitiu informações. Por conta deste fato fico muito tranquilo, pois a própria justiça está considerando que as acusações produzidas contra mim carecem de veracidade e comprovação. O Brasil condena antes de provar por conta do sentimento de impunidade que imperou no país por décadas, principalmente em razão da lentidão da Justiça. Com o tempo isso vai mudando graças a melhoria do funcionamento do sistema judiciário, da ação policial competente e também da modernização da legislação.

Schettini: O PSDB errou em navegar em uma coligação incerta?

Bauer: A cada eleição temos uma realidade diferente que orienta as decisões dos partidos. O PSDB de Santa Catarina tinha condições de disputar a última eleição estadual com candidatura própria. Infelizmente, não encontramos nos demais partidos que se identificavam com nosso pensamento, a disposição para uma coligação na qual apoiassem uma candidatura tucana. Diante disso, não restou ao partido outra opção senão apoiar a candidatura de outra sigla ao Governo do Estado. Naquele momento, considerando a relação histórica do partido com o PMDB e a postura do candidato daquele partido em relação às candidaturas do PSDB para a chapa majoritária, já aprovadas em convenção, decidiu-se estabelecer aquela ligação. Não foi uma coligação incerta, foi apenas uma coligação que não teve sucesso eleitoral.


Então senador, Paulo Bauer ri durante sessão no Senado Federal, em 2016 (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Schettini: Quais as chances de o senhor disputar as eleições em Joinville no ano que vem?

Bauer: Elas existem. Quem é político e faz política sempre deve estar preparado e pronto para as disputas. Se as lideranças do meu partido e as lideranças comunitárias de Joinville demonstrarem disposição para realizar uma campanha eleitoral inovadora e de comprometimento com o futuro da cidade, em benefício de sua gente, estarei pronto para disputar e conquistar a vitória.

Schettini: O PSDB está em conflito entre João Dória e a ala de Aécio Neves. Por que o partido demora para pular obstáculos?

Bauer: Não há conflito porque não existe ala de Aécio Neves. Aécio é hoje deputado federal pelo Estado de Minas Gerais e a tua como tal. João Dória não é chefe ou líder de ala. Ele é governador de São Paulo e faz um grande trabalho na administração daquele Estado. Não temos obstáculos para pular. O partido vai realizar agora, dia 7 de dezembro, um grande Congresso Nacional para definir quais são suas maiores “bandeiras” e qual o trabalho que deve realizar em favor do Brasil e dos brasileiros.

Schettini: Onde foi que os tucanos tropeçaram para levar uma rasteira nacional?

Bauer: Não houve tropeço dos tucanos. Todos os partidos foram surpreendidos pelo resultado eleitoral que valorizou e promoveu uma grande mudança na política brasileira, elegendo para o Governo Federal o presidente Jair Bolsonaro. Na campanha de 2018, ele apresentou um discurso que se identificou com os anseios dos brasileiros. Com isso e com o sentimento de solidariedade que recebeu dos brasileiros quando da tentativa de assassinato que sofreu, ele alcançou a vitória e carregou com ele quem estava ao seu lado como aliado. A isso chamamos de política. É, essencialmente, resultado da prática democrática.

Schettini: Faz um ano das eleições. O que o senhor faria de diferente para mudar aquele resultado?

Bauer: Acredito que nenhuma mudança alteraria o resultado. É preciso registrar que nunca venci eleições praticando incoerências, deslealdade partidária ou ação de marketing que visasse conquistar votos sem ter como cumprir com os propósitos anunciados. Portanto, atos como esses jamais teriam sido praticados com o propósito da vitória fácil e oportunista.

Schettini: O senador Jorginho Mello atacou sua liderança na última semana da campanha. Em eleição vale tudo?

Bauer: Prefiro não me manifestar a respeito deste assunto. Adoto a filosofia de que o tempo é o senhor da verdade e da razão e, no devido tempo, sempre prevalece a justiça.

Schettini: Paulo Bauer foi candidato a governador e por 1% não foi para o segundo turno em 2014. Por que mudou tudo?
Bauer: Fui candidato porque tínhamos um projeto para o país e eu estava no exercício do mandato de senador. Portanto, tinha compromisso com esse projeto. O fato de não ir para o segundo turno pode ter várias explicações, mas a principal delas é que não tínhamos, naquela campanha eleitoral, o apoio integral das lideranças dos partidos que coligaram conosco. Tínhamos dificuldades para estruturar a campanha e também convivíamos com a falta de confiança na possibilidade de êxito, manifestada por muitas das lideranças do nosso partido, o PSDB. Nosso adversário tinha todas estas condições favoráveis e soube utilizá-las em favor da vitória.


Em fevereiro, ao lado do ministro Onyx Lorenzoni, Paulo Bauer foi nomeado secretário Especial da Casa Civil para o Senado Federal

Schettini: O senhor tem um espaço no Governo Bolsonaro. Qual é a diferença entre ele e o governador Carlos Moisés?

Bauer: Estou trabalhando no Palácio do Planalto, na Casa Civil, a convite do ministro Onyx Lorenzoni. Converso com o presidente Bolsonaro em várias oportunidades e sou único ex-senador da República que ocupa cargo no Governo Federal. Atendo aqui, todos os dias, dezenas de catarinenses, especialmente prefeitos, secretários de Governo, vereadores, dirigentes de entidades de classe, que me procuram para apresentar solicitações sobre as mais variadas necessidades. A diferença entre o presidente e o governador é que o primeiro desejava ser presidente e trabalhou para o conquistar o mandato. O segundo viu a vitória acontecer como decorrência da onda provocada pelo primeiro. Bolsonaro queria a vitória, sabia o que faria com ela e está fazendo um governo diferente, verdadeiro e claramente identificado com o desejo dos eleitores que o elegeram, desde o primeiro dia. O governador foi surpreendido pela vitória e precisou definir suas prioridades e forma de ação já eleito. Isso, no início, provocou descontentamentos, questionamentos e críticas, mas percebo que hoje o governador está, de fato, exercendo integralmente seu papel de comandar a administração estadual.


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