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Entrevista | Baleia Rossi prega MDB independente e defende mudanças legislativas para acelerar Judiciário

Por: Marcos Schettini
01/11/2019 17:08 - Atualizado em 01/11/2019 17:20
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Autor da PEC 45/2019, conhecida como Reforma Tributária, o deputado federal Baleia Rossi iniciou a vida política aos 20 anos, em 1992, em Ribeirão Preto (SP), com a benção do pai Wagner Rossi, que foi deputado e ministro da Agricultura. Jovem liderança no Congresso Nacional, o parlamentar foi eleito presidente do MDB Nacional em convenção realizada em outubro, em Brasília. Apresentando uma nominata de renovação, é contra a participação dos ulyssistas no Governo Bolsonaro, mas garante que irão votar no que for bom para o Brasil. Em entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini, falou sobre prisão em segunda instância, defendeu o legado do ex-presidente Michel Temer e definiu o MDB de Santa Catarina como um modelo de sucesso no país. Confira:


Marcos Schettini: O senhor assumiu um MDB depois dos tropeços dentro e fora do governo do PT. Qual é a rota?

Baleia Rossi: O MDB pagou um preço alto por ajudar governos. No governo FHC, colaborou na aprovação do Plano Real e fim da inflação galopante. No governo Lula, o MDB apoiou programas sociais que tiraram milhões de pessoas da extrema pobreza. Quando houve a crise no governo Dilma, o MDB apresentou a agenda de reformas por meio da Ponte para o Futuro. O presidente Michel Temer apresentou as primeiras reformas e aprovou a Trabalhista. Infelizmente, o ambiente recrudescido da política inviabilizou outras votações. Felizmente, o presidente Bolsonaro resolveu seguir com uma agenda econômica que tem o nosso apoio. Apesar de não fazermos parte do governo, votamos no que for bom para o País. Nossa rota é na defesa de mais empregos e renda.

Schettini: Há dúvidas nesta renovação, porque os filhos de Renan Calheiros e Jader Barbalho levam a sombra dos pais. O que mudou?

Baleia Rossi: Os nove cargos administrativos da Comissão Executiva foram trocados. De Santa Catarina, o deputado Carlos Chiodini é nosso segundo vice-presidente. Ele está no primeiro mandato de deputado federal e terá muito espaço para imprimir novas ideias. Eu também estou apenas no meu segundo mandato de deputado federal. O tesoureiro Marcelo Castro está no seu primeiro mandato como senador. Outros nomes têm o mesmo perfil de renovação. Os jovens governadores Helder Barbalho e Renan Filho foram eleitos, respectivamente, por Pará e Alagoas. Eles compõem a Executiva por esse motivo, como vogais. Temos de respeitar o povo que os elegeu e os aprova. Isso é democracia.


Deputado federal no segundo mandato e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi se tornou liderança reconhecida no Congresso Nacional

Schettini: Como o MDB deve buscar o protagonismo político nas eleições do ano que vem?

Baleia Rossi: Somos e vamos continuar sendo protagonistas. Agora, recentemente, fomos decisivos na aprovação do projeto de cessão onerosa que vai resultar no repasse de bilhões de reais para todos os 5.570 municípios - portanto, os de Santa Catarina também. Eu e o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, atuamos para que esses recursos pudessem ser deslocados para investimentos que gerem empregos e renda. O MDB tem o maior número de prefeitos e vereadores. Creio que vamos continuar assim. No município, pesam mais as questões da cidade, e o MDB sempre deu resultado com soluções com equilíbrio. Veja o caso de Santa Catarina onde estamos presentes em mais de 90% das cidades graças a lideranças aprovadas pela população, como o senador Dário Berger e os deputados Chiodini, Peninha e Maldaner.

Schettini: A entrada do senador Eduardo Gomes na liderança do Governo Bolsonaro é a volta do MDB ao poder?

Baleia Rossi: Claro que não. É uma escolha exclusiva do presidente. Sabemos da capacidade do Eduardo, mas não tivemos nenhuma influência na escolha. Zero. Como eu disse na convenção, temos de nos acostumar a ficar fora de governos. Neste momento de renovação, temos de nos reconectar com nossa militância, redefinir e resgatar bandeiras como a defesa incondicional dos valores democráticos e do bem-estar social, com melhoria dos serviços públicos. Para tudo isso, precisamos de uma postura independente em relação ao governo federal. Porque é isso que nos dará identidade. Evidentemente quando chamados para ajudar o País, temos de fazê-lo. Esse é o caso do Eduardo. Ele foi chamado pelo presidente Bolsonaro, pois é reconhecido como um congressista que dialoga com todos. É disso que a articulação do governo tem precisado.

Schettini: A família Bolsonaro vive infernos verbais com filho desmentindo pai, pai desmentindo filhos. O que está acontecendo?

Baleia Rossi: Governar é uma experiência nova para eles. Sempre estiveram no Parlamento, onde falar é importante. No Executivo, o fundamental é ter foco em governar. Há bons ministros no governo. Todos reconhecem isso.

Schettini: Por que os filhos têm total autoridade sobre o presidente da República?

Baleia Rossi: Ainda não vi o presidente sendo desautorizado pelos filhos.

Schettini: O senhor é a favor ou contra a prisão em segunda instância?

Baleia Rossi: O grande problema histórico é a lentidão da Justiça que nos causa enorme sensação de impunidade. Sou a favor do cumprimento da Constituição e do respeito às instituições e da independência entre os poderes. Decisão judicial se cumpre, não se discute. Mas precisamos avançar em mudanças na legislação que torne mais célere o cumprimento de sentenças.


Então presidente Michel Temer ao lado do deputado Baleia Rossi, em junho de 2016 - Foto: Alan Marques/Folhapress

Schettini: O ex-presidente Michel Temer foi preso e depois solto num momento em que o Brasil condena antes de investigar. O país está se tornando arbitrário?

Baleia Rossi: Já está consolidado para a sociedade que houve abuso e pirotecnia no caso envolvendo o presidente Michel Temer. A própria Justiça do Distrito Federal já concluiu que houve uma edição criminosa do áudio. Aquele episódio retardou o processo de recuperação do País, pois o presidente Michel já vinha tomando medidas para tirar o Brasil do abismo da crise econômica. Ainda assim, ele entregou um País no azul, com PIB positivo. Portanto, bem melhor do que recebeu do governo do PT. Por tudo isso, atual governo seguiu a rota iniciada por Temer na agenda econômica. Estou confiante que vamos começar 2020 com mais condições de combater o desemprego.

Schettini: O senhor acredita que o Brasil caminha para um confronto civil caso Lula da Silva seja solto?

Baleia Rossi: Também se dizia isso antes de ele ser preso. Evidentemente que houve alguns protestos, mas nada tirou o país da normalidade democrática. Hoje o brasileiro está preocupado com emprego e renda. As pessoas querem é trabalhar, pagar as contas e cuidar dos filhos.

Schettini: Quais são os nomes do MDB nas eleições em Florianópolis, Joinville e Blumenau?

Baleia Rossi: O presidente Celso Maldaner tem nosso apoio para decidir conjuntamente com o diretório e as lideranças dentro de nossa militância.

Schettini: Os ulyssistas foram os maiores derrotados na majoritária do ano passado e não passou do 1° turno. O que fazer para retomar a confiança do eleitor?

Baleia Rossi: Mostrar que temos experiência e competência para solucionar os problemas das cidades. Santa Catarina é um exemplo de sucesso do MDB para o País.

Schettini: O ministro Sergio Moro é vilão ou justiceiro?

Baleia Rossi: O ministro Moro tem um papel fundamental no governo: cumprir a Constituição Federal e combater a criminalidade dentro do Estado Democrático de Direito de forma técnica, objetiva e profissional. Estive com ele em algumas oportunidades e ele sempre me passou uma boa impressão. O Brasil reconhece seus serviços prestados como juiz na Lava Jato. Como ministro, ele tem funções um pouco distintas. Precisa dialogar com a sociedade e com os demais poderes. Não é mais julgador, mas sim um indutor de boas propostas capazes de fazer o brasileiro se sentir mais seguro para poder trabalhar e cuidar da família com mais tranquilidade.


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