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Entrevista | Merisio diz que Governo Moisés é preguiçoso, inexperiente e inapetente

Por: Marcos Schettini
21/05/2020 15:38 - Atualizado em 22/05/2020 09:39
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Guto Kuerten

Candidato derrotado por Carlos Moisés da Silva na eleição de 2018 para o Governo do Estado, Gelson Merisio saiu dos holofotes políticos, trocou o PSD pelo PSDB e continuou percorrendo Santa Catarina para fortalecer os tucanos em todas regiões do Estado.

Questionado sobre impeachment da chapa eleita, Merisio diz que agora o momento é de deixar a Alesc, Ministério Público e Polícia Civil investigarem a falta de transparência dos atos do Estado e que a grande prioridade é o combate à pandemia.

Após um ano e meio de mandato de Moisés, o ex-presidente da Alesc concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini, elencou quais seriam as prioridades neste momento caso tivesse sido eleito e fez duras críticas ao governador, afirmando-o como inexperiente e pouco apetente. Ainda, taxou o Governo do Estado como preguiçoso ao não ir às bases, deixar de ouvir as comunidades e se distanciar dos prefeitos. Confira:


Marcos Schettini: Qual o real cenário hoje em Santa Catarina?

Gelson Merisio: O cenário hoje em Santa Catarina é de incertezas. Temos uma pandemia que é um fato novo no mundo e, por outro lado, temos um Governo do Estado inexperiente, inapetente, que está comprometendo as respostas que deveriam ser mais ágeis, práticas e transparentes. Num período de pandemia, ter dúvida sobre a lisura de um processo de compra de respiradores, é absolutamente inaceitável e cria um descrédito por parte da população.


Schettini: O que seria necessário, já, agora, neste momento?

Merisio: Eu não vou dar conselho ao governador. Vou dizer o que eu faria se estivesse no Governo neste momento. Eu transferiria a sede do Governo para dentro da Secretaria da Saúde, trabalharia 20h por dia naquela que é a única e grande prioridade neste momento, que é o combate ao coronavírus. Aperfeiçoaria a comunicação e a relação com os prefeitos, que são muito mal feitas. As pessoas são mal informadas. Há divergência entre o que fala o governo e o que fala a prefeitura. Ninguém sabe ao certo o que deve ou não deve ser feito. Boa comunicação, transparência e trabalho. O Governo tem que deixar de ser preguiçoso, trabalhar mais, ir para as bases, ouvir a comunidade e ter uma relação de absoluta reciprocidade com as prefeituras.

Schettini: O Sr. falava em 2018 que a experiência e conhecimento iria pesar para administrar SC. Está tudo errado?

Merisio: Fazer uma avaliação do passado contribui pouco para o momento. Acredito que agora temos que somar esforços, de todas as correntes políticas, sem perfil ideológico. Nós temos um avião no meio de uma tempestade e o piloto que foi escolhido em 2018 é inexperiente. Na minha visão, também é pouco apetente aos problemas reais. Se for pressionado demais, aumenta o risco de uma condução ainda mais equivocada. Por isso, na minha visão, nós temos que focar no combate à pandemia, especialmente no Oeste, que tem números assustadores e uma expectativa muito desfavorável para os próximos dias.


Schettini: A CPI avança na Alesc e deverá tomar qual direcionamento diante dos escândalos?

Merisio: A Assembleia tem a obrigação de fazer o processo investigativo. Faz parte de sua função. Agora, a sociedade, as lideranças comunitárias, todos aqueles que querem contribuir com o Estado, fora do ambiente específico do Ministério Público, Polícia Civil e Assembleia Legislativa, que são órgãos de investigação, devem focar na coesão dos esforços para que possamos contribuir e ter menos mortes e menos sofrimento, com mais pessoas podendo ultrapassar vivas e com saúde este momento tão crítico de pandemia.


Schettini: Fala-se muito em cassar a chapa. É o caminho?

Merisio: Não vou especular sobre impeachment porque entendo que não é o momento. Entendo que o impeachment é fruto de um desgaste muito grande do Governo com a sociedade. Isso se dá ao longo do tempo e com ações desastrosas, como as que ocorreram na compra dos respiradores e na ideia maluca de se fazer um hospital de campanha a 100m de um hospital que tem uma ala inteira vazia. Então, ações como estas desgastam de uma forma muito radical a relação do Governo com a sociedade. Se isso ocorrer ao ponto de permitir o impeachment, o tempo vai dizer. Especular ou criar fatos a partir disso parece que não contribuem com a grande prioridade neste momento, que é o combate à pandemia.

Schettini: Novas eleições em plena pandemia diz o quê?

Merisio: Falar em cassar chapa, governador, eleições diretas e indiretas, na minha visão não é o momento. Acredito que este assunto tem que ficar restrito à Assembleia Legislativa e aos órgãos de investigação, MP e PC. Não vou especular porque acredito que não contribui neste momento. O que eu gostaria muito de ver, especialmente na região de Chapecó, Concórdia e São Miguel do Oeste, é o Governo tendo um afinamento efetivo com os prefeitos, não somente no discurso ou na relação pessoal e partidária. Mas sim construindo novos leitos de UTI, preparando os hospitais para os meses de junho e julho, quando o inverno vai apertar e, por consequência, a contaminação também vai apertar. Infelizmente, não temos leitos novos construídos. Estamos perdendo um tempo precioso na quarentena, que ao invés de servir para que possamos construir novos leitos e arrumar as enfermarias, serve para discutirmos problemas de desvios de compra, erros de avaliação e, acima de tudo, de incompetência de gestores públicos. Esta é a grande tragédia. O resto vamos esperar seu tempo, que na hora certa as coisas acontecerão.


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