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Entrevista | “Temos condição de ter um pasto melhor do que o da Nova Zelândia”, afirma Acari Menestrina

Por: Marcos Schettini
05/12/2018 14:59 - Atualizado em 05/12/2018 16:38
Arquivo/LÊ Com investimento de R$ 28 milhões, um dos maiores empresários do Brasil no ramo, inaugura a indústria de gorgonzola e provolone neste sábado (08), em Guaraciaba, no Extremo-Oeste. Com investimento de R$ 28 milhões, um dos maiores empresários do Brasil no ramo, inaugura a indústria de gorgonzola e provolone neste sábado (08), em Guaraciaba, no Extremo-Oeste.

Em entrevista concedida ao jornalista Marcos Schettini, o empresário Acari Menestrina, proprietário da Gran Mestri, maior fábrica de queijos duros do Brasil, falou do potencial leiteiro da região Oeste de Santa Catarina e explanou sobre o sentimento em inaugurar a indústria de gorgonzola e provolone, num investimento de mais de R$ 28 milhões.


Marcos Schettini: Qual é o sentimento em ver este projeto crescendo de dando certo?

Acari Menestrina: É uma honra e uma satisfação enorme em poder contribuir com o bem estar dar pessoas, com a qualidade de vida e com esta grande transformação que fizemos no Oeste de Santa Catarina, que hoje é o quarto maior produtor leiteiro do Brasil, sendo que desta parcela, 80% é produzido na nossa região. São 10 milhões de litros de leite, mais que a produção do Uruguai. Sem dúvida nenhuma, vamos crescer de oito a 10% ao ano e vamos ser a grande referência a nível nacional da produção de leite. Temos uma produção de minifúndios e própria para esta produção de leite. Mas não podemos só produzir e vender esse leite, temos que transformar em valor agregado. Temos um leite de excelente qualidade e estamos fazendo um trabalho muito forte para ser referência em queijos no Brasil. O queijo é o mercado que mais cresce no país. Na Itália e na França, o consumo per capita de queijo é de 25 kg ao ano, no Brasil, o consumo é de 5,5kg, sendo 4kg de mussarela e prato e 1,5kg de queijo diferenciado. Por isso, não temos dúvida que é o mercado do futuro. No Brasil, o maior consumo de queijos diferenciados é o Grana Padano e o parmesão, que são os queijos duros. O gorgonzola já é o segundo queijo diferenciado mais consumido no Brasil. Sendo que, na Itália, o gorgonzola também é o segundo mais consumido, ficando atrás somente do Grana Padano. Hoje, a Gran Mestri tem um parque industrial referência, sendo o maior e melhor do Brasil. Somos obcecados em produzir alta qualidade, produtos saudáveis e com segurança alimentar. Trouxemos uma fábrica, os ingredientes e os mestres queijeiros da Itália. Agora, o nosso grande objetivo é fazer produtos para substituir os importados. Hoje, estamos no mercado a nível nacional, produzindo 30 toneladas de produtos por dia. Sem dúvida, com essa nova planta, teremos 15 fábricas dentro de uma, com um mix gigante de mais de 70 produtos para atender o mercado em todo o Brasil.

Schettini: Como incentivar o consumo deste tipo de queijo no Brasil?

Acari: Nós temos um time comercial e de marketing muito forte. Nós temos mais de 200 representantes comerciais em nível de Brasil, estando em 100% do território nacional. Temos mais de 150 promotores e degustadores, inclusive com a degustação comentada, pois temos que gerar experimentação. As pessoas estão viajando e estão com hábitos diferentes. O paladar também é quase irreversível. A partir do momento em que você experimenta um produto de alta qualidade por duas ou três vezes, você não consome mais outro produto. Então, sem dúvida, temos gôndolas recheadas de produtos, gerando experimentação e degustações comentadas, fazendo um trabalho muito forte nos pontos de venda.

Schettini: Como foi chegar neste nível de qualidade?

Acari: Fizemos mais de 5.000 horas de voo internacional, conhecendo mais de 800 fábricas no mundo. Buscamos referência em todo o planeta para se espelharmos e fazermos melhor aqui. Tudo começa na qualidade na matéria-prima ao produtor, ou seja, o produtor precisa produzir leite de alta qualidade, com contagem bacteriológica baixa, células somáticas baixas, propiônicos também, mas com gordura e proteína para a gente poder aumentar a rentabilidade. Por outro lado, equipamento correto, ingredientes adequados e uma receita precisa, com um processo padronizado, com pessoas certas nos lugares certos. Já falei, mas vou repetir, a Gran Mestri é obcecada por alta qualidade, produtos saudáveis e segurança alimentar. A empresa que não tiver esses pilares, não vai se consolidar no mercado. No nosso caso, para substituir os importados e ter os produtos de alta qualidade, feitos com leite de padrão internacional, não há duvida que tenha que se fazer um trabalho muito forte, primeiro, no produtor.

Schettini: Santa Catarina tem uma bacia leiteira em crescimento. Isso tem fortalecido o mercado e está levando as pessoas de volta ao campo?

Acari: Sem dúvida. Nós estamos numa região de pequenas propriedades, de 15 a 25 hectares. O que se encaixa muito bem é uma cultura de alta densidade como suínos e aves, que dependente muito de proteína nobre, ou seja, milho, soja, polivitamínicos, sendo que nosso Estado produz somente metade do milho que consume. Mas a grande alternativa da vaca é que ela é um ruminante e foi feita para comer pasto. Primeiro o produtor tem que ser um pasticultor, um plantador de pasto, para depois ser um produtor de leite. Nós temos toda essa condição, pois temos fotossínteses, luminosidades e as quatro estações do ano na mesma hora. Temos toda condição para ter um pasto de melhor qualidade até que a Nova Zelândia, pela condição diferenciada. Mas precisamos fazer um trabalho forte no campo, com os produtores, de melhoramento de pastagem. No minifúndio, com um sistema de rodízio, de piquete, com alta qualidade, mas temos que plantar pasto como plantamos milho e soja. Não adianta plantar pasto de qualquer jeito, pensando “pasto é pasto”. Não, tem que plantar pasto como milho e soja. Então, por hectare, num pasto de qualidade, podemos colocar tranquilamente de cinco a seis animais. Sendo assim, numa área de 12 hectares, pode-se produzir 1.000 litros de leite por dia, ou seja, 30.000 litros de leite por mês.

Schettini: Qual a receita para tamanho empreendedorismo?

Acari: Recentemente saiu uma pesquisa que apontou uma visão de 864 empresários que representam 45% do PIB do Brasil. No relatório, eles acreditam que com o novo governo e estabilidade política, irão iniciar-se os novos investimentos no país. Mas nós fizemos o reverso, pegamos o período de maior dificuldade para investir. Vamos entrar 2019 sem investimento, pois já fizemos. Na dificuldade, nasce a grande oportunidade. Investimentos foram feitos, vamos entrar com a produção pronta e vamos colher os frutos já em 2019. O importante é tomar a decisão certa na hora certa, mas precisamos fazer a lição de casa. Não é só o governo, pois ele não irá resolver nossos problemas. O tema de casa é fundamental, nós temos que ter gestão, qualificando nossas pessoas. Temos que ter inovação tecnológica, sempre à frente do tempo. O que é para demorar cinco anos, temos que fazer em um ano. O Brasil é um mercado cheio de oportunidades, são mais de 200 milhões de habitantes, sendo 50 milhões de pessoas de alto poder aquisitivo. Então, temos um mercado gigantesco, onde o pessoal está importando produto que poderíamos estar produzindo aqui, com alta qualidade e com custo muito mais interessante. Então, é acreditar e fazer acontecer.

Schettini: Como será a inauguração no dia 08 de dezembro?

Acari: Será um momento de muita importância para a Gran Mestri, onde vamos consolidar o maior parque industrial de gorgonzola e provolone. Poderemos fabricar também o roqueford, que é com leite de ovelha, e a mussarela de búfala, mas é outra realidade, um mercado para daqui a 10 a 20 anos. Talvez as pessoas não entendam isso hoje, mas é o grande projeto de futuro. Então, já no dia 07 vamos fazer uma convenção de vendas, com todo o time comercial. Vamos trazer cerca de 400 pessoas de todo o Brasil, de todos os Estados, para conhecerem o parque industrial. Vamos traçar metas e objetivos para 2019 e aproveitar para confraternizar com o time Gran Mestri, para celebrar o final do ano. Vamos trazer autoridades, todas as famílias rurais, produtores e fornecedores.Iniciará às 9h do sábado (08), com apresentações e a solenidade de abertura. Depois iremos visitar o “Mundo Gran Mestri”, quando iremos fazer um passeio de 15 minutos no meio de um milhão e 300 mil quilos de queijos. Finalizando o giro em cima da maior fábrica de queijos duros do Brasil, iremos visitar a unidade de gorgonzola e provolone, um parque industrial moderno e novo, seguindo todos os modelos europeus, com produtos de excelente qualidade.


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