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Vieses e consensos | O Poder não corrompe o homem, o homem quem corrompe o Poder

Por: Ralf Zimmer Junior
29/07/2019 15:08
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Com esta célebre frase o estadista Ulysses Silveira Guimarães - morto num acidente de helicóptero (privado) em outubro de 1993, na época em que não se imaginava utilizar do aludido meio de transporte da Presidência da República para transportar convidados para festas privadas (como ocorreu recentemente no casamento do filho do presidente Bolsonaro) – resumiu com maestria, sob certo viés, a dinâmica do poder.

Ora, até bem pouco tempo vazamentos de diálogos interceptados, quando o atual Ministro Sérgio Moro era togado, defendia-se ao argumento de que “o que importa é o conteúdo”, agora que o vazamento diz respeito aos seus próprios diálogos, ataca-se a forma, às favas com o conteúdo.

Não se objetiva aqui buscar fechar questão sobre o certo ou errado, o conteúdo ou a forma, mas chamar atenção ao fato que numa democracia o que é certo deve ser para todos, e o que é errado também, independentemente se amigos (ou inimigos) “do rei”, do contrário é admitir um regime déspota, autocrático e ditatorial.

Sobre o Ato com o número do apocalipse, 666, sem maiores comentários. Um acinte à Constituição Federal, nos seus aspectos material e formal, uma nítida tentativa de sobrepujar o próprio processo legislativo no afã de se alto-afirmar no intermeio do jogo político “sendo jogado” de forma açodada e inócua. Direto ao assunto: se a questão é querer tirar um jornalista do País que ameaça o “status quo” com diálogos que podem ser compartilhados nas redes sociais de qualquer local do mundo, expulsá-lo não irá calá-lo, tampouco intimidá-lo. O próprio diabo certamente não aprovaria o amadorismo de uma medida dessas, que apenas, e quando muito, infla a “torcida”.

De outro lado, como bem-dito no primeiro parágrafo, Ulysses descortinou sob certo viés, mas não em relação ao todo, a dinâmica do Poder com sua célebre frase que encabeça a presente exposição.

Avancemos para a dinâmica natural do Poder, sem corrompe-lo.

Crê-se que nem o próprio Ulysses, pai do “MDB veio de Guerra” que era o único partido que se opunha à antiga Arena à época dos “anos de chumbo” (ou “anos dourados”, como preferires!), poderia prever as idas e vindas improváveis que a dinâmica de poder político ocorreria no Brasil nos anos subsequentes à sua saída da vida física.

Veja-se, que em Santa Catarina mesmo tem se desenhado um cenário inimaginável, em que personagens há bem pouco inexpressivos nas forças da direita, ousaria chamar de o “baixo escalão” da antiga Arena, alcançaram ao Poder, pasmem, desbancando a força que sempre foi o divisor de águas em nosso Estado desde os anos 90, os liberais do “alto escalão” (seus coirmãos), outrora PFL, recentemente DEM e sobretudo PSD, que quando estiveram com o MDB de Paulo Afonso em 1994 levaram, quando mudaram de lado em 1998 com Amin, venceram também, e desde 2002 ao lado de Luiz Henrique da Silveira já nos primeiros meses de 2003 ganharam tudo até a última eleição.

O MDB, e o PP (antigo PDS e desdobramento maior em SC da antiga Arena) que outra rivalizavam e encontravam a vitória para o lado ao qual pendiam os liberais (PFL lá, PSD, sobretudo cá) encontram-se numa situação pitoresca. O PSL ora no comando, graças a um racha nas fileiras do MDB e PSD na última eleição, encontrou no MDB (pela dinâmica do segundo turno) seu maior aliado, ao passo que os liberais e o PP (com DNA forte na antiga Arena) agora buscam se realinharem para enfrentar nas próximas eleições quem lhes compunham seu “baixo clero”, personagens que saíram de suas fileiras para erigirem o PSL e outros novos partidos de direita. Ilógico, não fosse, repita-se, o MDB não ter ido ao segundo turno da última eleição ao governo do Estado. Quem seria o “inimigo natural” das forças de direita estaduais (MDB), virou o maior aliado do outrora “baixo” (PSL principalmente) contra o “alto” (PP e PSD sobretudo) clero direitista barriga verde.

Nessa perspectiva, o MDB (espinha dorsal do “centro”) que de há muito estava entre as duas maiores forças políticas do Estado migrou para assumir o papel de fiel da balança, posição que era ocupada pelo “alto clero” dos liberais (antes PFL, agora PSD), que por sua vez migrou para ser parte em definitivo do jogo de forças políticas do Estado.

A questão é se o PSD e seu séquito de seguidores, ao lado do PP (mantida as bases do último cenário), terá liderança à altura (já que suas lideranças históricas maiores se encontram sem mandato) para enfrentar Moisés em 2022, que acaso mantenha o bojudo fiel da balança chamado MDB em seu lado, e não se veja entretido em escândalo ou atraso de salários do funcionalismo (duas situações improváveis) parece que ficará na Casa da Agronômica por 8 (oito) anos. O bombeiro é a personificação, ao que tudo indica até então, da “nova política”. Um fenômeno que surfou na onda de um fenômeno maior, e agora parece cada dia mais a ter luz própria e maior do que se imaginava.

Entretanto, como diz Miguel Livramento: “o jogo é jogado, e o lambari é pescado”, não há espaços para absolutos em projeções de poder e de política, os vieses são inúmeros. As eleições para as prefeituras já no ano que vem ajudarão clarear os cenários para 2022. MDB e PSL juntos ou não, e em que cidades, essas as questões mais palpitantes por ora, sobretudo se considerarmos contra quem. De outra vertente, as ditas “esquerdas” terão força de uma Fênix para renascerem das cinzas no Estado mais conservador do País ou se manterão na lona, também é uma questão interessante que poderá influenciar nos destinos do Estado e do País, já que quem ganha em SC costuma ganhar no Brasil (FHC 94 e 98, Lula 2002, Bolsonaro 2018). Consenso, contudo, continuo com o saudoso Ulysses, o Poder não corrompe o homem, o homem que corrompe o Poder!


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