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Artigo | Na política, falam como se fôssemos tongos

Por: LÊ NOTÍCIAS
17/05/2022 21:21
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Por Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira*

Nesta véspera de eleição que começamos a viver, também começam os políticos possíveis candidatos a retornar às “suas bases”, ou a perambular por elas à cata de votos. Muitos deles, antes sumidos, fazem agora esse retorno tardio. Diante da ausência nestes quase três anos e meio que estão no gostoso poder Legislativo – poder esse que poderia ser bem mais produtivo –, certamente tais “otoridades” reaparecem para se redimir do que deveriam ter feito, e não fizeram na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.

Nada contra o alegre e sorridente retorno, ou tudo contra, dependendo dos efeitos dos votos dados pelo eleitor. Porém, pela linguagem, pelo discurso (velho) que muitos adotam, parecem considerar que seus “ouvintes das bases” – sejam eles lideranças, autoridades locais ou o próprio eleitor –, formam um bando de ignorantes, representam uma chorna de incautos. O blá-blá-blá discursivo, muitas vezes sem novidades, é feito como se os ouvintes fossem uns bocós desinformados.

Questionados sobre determinados temas que seriam da respectiva competência, esses parlamentares que oportunisticamente se fazem presentes ficam na tangente, optam pela enrolação, pelo papo sem objetividade, embromam. Existem aqueles que estão há décadas “parlamentando”, e não é muito diferente com novatos e novatas, que se posicionam como se “o povo das bases” desconhecesse o que se passa nos “mundos” de Florianópolis e de Brasília, ou pelo submundo da política.

Com o dinheiro público que lhes é destinado a rodo e com pouco controle (já que não tiram do próprio bolso nem o dindim para tomar um cafezinho que seja), esses ineptos vêm para a região e falam, falam e não dizem nada. A conversa (a)normalmente é insonsa, ultrapassada, repetitiva, inócua. Dá sono, muitas vezes. O ouvinte compulsório acorda, mas o eleitorado sonambula e pode, de novo, votar errado.

Temos que começar – os cidadãos, as lideranças, os eleitores principalmente –, a dizer mais, e os pré ou pretensos candidatos que falem menos e melhor ouçam. No jogo democrático de uma eleição, que nas reuniões com as bases seja o primeiro tempo para “o povo” expor as demandas. Tipo assim em 20 minutos, e que o buscador de voto ouça e depois no segundo tempo, em 10 minutos, fale para informar o que fez, explicar o que não fez ou garantir o que pode fazer. Enfim, que primeiro ouça e fale após, mas fale somente o que possa fazer e depois faça o que falar. Ou saia do jogo eleitoral, quando não da jogada eleitoreira. Senão, continuará a presunção que temos visto e a bazófia como resultado inútil. Até porque – entre aqueles que se sujeitam, nas mais variadas situações, a ouvir os caçadores de votos –, nem todos são tongos.

*Jornalista e professor universitário em Chapecó


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