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Artigo | O fardo da existência

Por: LÊ NOTÍCIAS
01/12/2025 11:01
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Por Jamil Garcia*

Há dias em que a vida parece apenas uma sucessão de golpes invisíveis, uma longa coleção de horas que se arrastam como correntes. Você caminha, respira, executa tarefas, responde expectativas — mas tudo isso com a sensação de estar vivendo uma existência emprestada, deslocada, quase artificial. Cada compromisso diário é mais uma prova de que você deve continuar funcionando, mesmo quando seu espírito implora por descanso. Mesmo quando sua alma se vê amassada pela rotina, como um papel gasto carregando rabiscos que ninguém lê.

E assim você segue, carregando pensamentos pesados como sacas de cascalho molhado. Acorda já cansado da própria consciência. Olha para o trabalho, para as obrigações, para as pessoas, e tudo parece distante, como se houvesse um vidro grosso entre você e o mundo. Um vidro que abafa sons, que distorce as cores, que transforma o que deveria ser vida em mera sobrevivência.

No fim do dia, o que sobra é aquela sensação muda — a de ter desperdiçado mais um pedaço de si por recompensas que não alimentam nada do que realmente importa. Migalhas jogadas a um animal exausto que aprendeu a ser serviente e a aplaudir para disfarçar uma gratidão barata. Você sente o peso de ser útil e o vazio de não ser visto. De ser eficiente e não ser inteiro.

E dentro dessa tempestade silenciosa, você carrega uma certeza amarga: a de que está sempre oferecendo mais do que recebe, sempre sangrando para manter vivo um sistema que jamais pergunta se você está ferido. É uma existência que se arrasta, que tropeça, que dói — e às vezes parece que não há mais razão para tanto esforço, que o sentido escorre pelos dedos sem que você consiga segurá-lo.

Mas apesar de tudo, você continua. Ainda está aqui. Ainda respira. Ainda sente — mesmo que o sentir doa. E isso, por mais invisível que pareça, ainda é uma forma de resistência, apesar de preferir a singela desistência.

Por fim, há algo que eu insisto em questionar: por qual motivo um ser humano que goza de plenas faculdades mentais e total discernimento não teria direito a uma morte digna? Fala-se tanto em dignidade à vida humana, e a morte, não merece ser digna?

Este é um assunto que gera debates em vários segmentos da sociedade, principalmente por parte dos religiosos.

Deixarei, não por temer o enfrentamento de ideias, mas por uma questão simples, postergar para uma oportunidade futura o debate de tal tema.

*Bacharel em Direito pela Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina. Oficial de Gabinete da 1ª Vice-presidência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Especialista em Direito Civil pela Universidade Anhanguera. Especialista em Administração Pública e Gerência de Cidades pela Faculdade de Tecnologia Internacional (Fatec). Especialista em Gestão e Legislação Tributária pela Faculdade de Tecnologia Internacional (Fatec). Especialista em Ciência Política pela Universidade Candido Mendes (Ucam). Autor de tantos outros artigos para revistas científicas e periódicos do cotidiano


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