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Cifra Econômica | Reforma Tributária e os Autônomos: a bomba-relógio que poucos estão vendo!

Por: Daniel Ribeiro
03/06/2025 14:04 - Atualizado em 03/06/2025 14:05
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Com a promulgação da Lei Complementar nº 214/2025, a tão falada reforma tributária saiu do papel e já tem data para começar a valer: 2026. Mas, enquanto muitos ainda dormem no ponto, um grupo crucial para a economia brasileira está prestes a ser severamente impactado — os trabalhadores autônomos.

Advogados, dentistas, professores particulares, designers, eletricistas, motoristas de app, entre tantos outros... a nova estrutura tributária ameaça inviabilizar por completo esse modelo de atividade.

Esquecidos e sacrificados

Na ânsia de reorganizar o sistema, o Congresso parece ter "esquecido" dos autônomos. Enquanto caminhoneiros e nanoempreendedores (com receita bruta até R$ 54 mil/ano) receberam tratamento especial, o restante da categoria foi jogado aos leões.

Veja só a carga tributária que os autônomos terão que suportar com a reforma:

  • IRPF até 27,5%
  • INSS de 11% a 20%
  • IBS CBS estimados em 28%

Faça as contas: com pouca ou nenhuma possibilidade de usar créditos tributários (como as empresas podem), a carga efetiva ultrapassa os 40% em muitos casos. Isso sem considerar contador, folha de pagamento, conselho profissional, obrigações acessórias...

Uma estrutura para PJ, aplicada ao CPF

É como se o Estado passasse a exigir de uma Kombi o desempenho de um caminhão Scania. O autônomo não tem estrutura de empresa, não tem respaldo jurídico de uma PJ e agora vai pagar mais tributo que muita empresa do Simples Nacional.

Exemplos reais mostram que um advogado pode pagar até R$ 46 mil só de tributos, ao faturar R$ 119 mil. Uma alíquota real de 39%. E ele ainda é obrigado a contratar contador, gerar nota, apurar débitos, manter livro-caixa... e tudo isso com a corda no pescoço.

A lupa da fiscalização, a brecha dos espertos

A complexidade do novo sistema e a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal podem abrir um novo mercado para fraudes fiscais, como notas frias para geração de crédito em favor de empresas — algo que hoje é minimizado no ISS cumulativo.

E o risco não é só financeiro. O autônomo responde com todo o seu patrimônio pessoal, enquanto a PJ tem responsabilidade limitada. Ou seja: risco maior e carga maior = receita para o colapso!

Empresário, fique atento: isso também afeta você

Muitos empresários dependem dos serviços de autônomos: técnicos, consultores, transportadores, profissionais liberais. Se essas atividades forem inviabilizadas, os custos vão subir, os serviços vão escassear e os profissionais qualificados migrarão para a informalidade ou para o Simples Nacional, tornando-se, na prática, pequenas empresas com estrutura frágil.

E mais: com a entrada dos autônomos no IBS/CBS, você, empresário, poderá sim tomar crédito dessas notas... mas isso só será possível se o autônomo arcar com todos os custos da burocracia. Será que ele vai conseguir?

Conclusão: uma bomba silenciosa que precisa ser desarmada

A reforma tributária é necessária, sim. Mas não pode ser construída às custas da base trabalhadora autônoma, que movimenta bilhões e sustenta, muitas vezes, os próprios negócios que hoje estão no topo da cadeia produtiva.

É hora dos autônomos se organizarem, das entidades de classe se manifestarem e do Congresso ajustar urgentemente esse erro técnico antes que a bomba exploda em 2026.

Empresário que se antecipa, sobrevive. Empresário que ignora, paga a conta. Vamos abrir os olhos antes que seja tarde demais.


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