A tão aguardada Reforma Tributária promete simplificar a cobrança de impostos sobre consumo no Brasil. No entanto, um efeito colateral pode atingir diretamente pequenas e médias empresas enquadradas no Simples Nacional – sobretudo aquelas que operam no modelo B2B (business to business), vendendo para companhias de maior porte.
Um estudo inédito do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), intitulado “Raio-X do Simples Nacional em 2025”, mostrou que mais de 70% das empresas do regime simplificado atuam no B2B. Esse perfil tende a sofrer mais com as mudanças trazidas pela criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), previstos para iniciar em 2026.
Segundo Carlos Pinto, diretor do IBPT e autor do estudo, a nova lógica de créditos tributários pode reduzir a competitividade das empresas do Simples frente àquelas no Lucro Real ou Presumido.
“Hoje o crédito de PIS e Cofins é tomado em 9,25% sobre o valor da nota, independentemente do regime do fornecedor. Com a reforma, o crédito passará a ser equivalente ao imposto efetivamente pago. Isso pode tornar as empresas do Simples menos atrativas, porque não vão gerar créditos suficientes para compensar a carga de 28% que os contratantes terão de pagar”, explica o especialista.
Setores mais vulneráveis
O levantamento revela que setores inteiros podem perder espaço por não oferecer créditos relevantes de IBS/CBS às empresas contratantes.
Risco invisível
Negócios voltados ao consumidor final (B2C), como restaurantes, salões de beleza e pequenos comércios, continuam encontrando no Simples um regime vantajoso. Já os fornecedores em cadeias industriais e serviços especializados precisarão reavaliar seu enquadramento tributário.
“A saída é contar com assessoria para adequar contratos e estratégias de planejamento tributário. Além disso, é fundamental mobilizar o setor para que os empresários entendam a dimensão dessas mudanças e se preparem para não perder espaço no mercado”, conclui Pinto.
Embora a transição da reforma vá até 2033, os impactos já começam a influenciar decisões de contratação. Para especialistas, o risco maior não está no longo prazo, mas na falta de preparo das empresas para enfrentar o que já desponta no horizonte.
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