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Cifra Econômica | Teremos uma eleição que vai mudar o Brasil

Por: Daniel Ribeiro
10/12/2025 13:24
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O mercado financeiro, pragmático como sempre, não reage a paixões políticas — reage a riscos. E risco, para o investidor, significa incerteza sobre o futuro. Na semana em que se ventilou o nome de Flávio Bolsonaro como possível candidato à Presidência, a reação imediata foi clara: dólar para cima, bolsa para baixo.

Não é ideologia, é leitura técnica.

Até então, parte relevante do mercado enxergava em Tarcísio de Freitas um provável candidato de perfil moderado, tecnocrata, e com capacidade de reconstruir pontes institucionais. Uma figura capaz de reconduzir o país à previsibilidade — a palavra mais valiosa para qualquer investidor.

A substituição desse nome por outro considerado mais polarizador disparou o alerta amarelo.

E aqui entram os números.

O problema não está na direita nem na esquerda. Está no centro — os 31% independentes.

A pesquisa da Genial mostra uma distribuição interessante:

  • Direita não bolsonarista: 22%
  • Bolsonaristas: 13%
  • Lulistas: 18%
  • Esquerda não lulista: 15%
  • Independentes (o centro): 31%

Flávio Bolsonaro conversa com 22% 13% = 35% do eleitorado, enquanto Lula dialoga diretamente com 18% 15% = 33%.

O problema não está nesses dois polos.

O problema está nos 31% independentes, que são justamente quem decide eleição — e quem mais pesa na leitura de risco político do mercado.

O centro não gosta de radicalização.

O centro quer previsibilidade, estabilidade fiscal, ambiente de negócios, segurança jurídica.
Quando o centro se afasta, o risco-país sobe.

E o mercado respondeu exatamente a isso.

O outro lado da equação: o risco de continuidade do atual governo

O investidor olha a régua completa. E, se de um lado houve ruído na oposição, do outro o cenário também não é trivial.

O governo atual tem dado sucessivos sinais de maior intervenção econômica e política. E quando combinamos isso com dois movimentos paralelos, o alerta fica maior:

1. Mais indicações ao STF

Hoje já são 5 ministros indicados pelo PT.

Nos próximos anos, mais 3 ministros deixarão o tribunal, totalizando 8 de 11 cadeiras sob indicação do mesmo grupo político.

É simples: quando um único projeto de poder pode controlar 73% do STF, o investidor imediatamente recalibra seu cálculo de risco institucional.

Não se trata de duvidar das pessoas — trata-se do desenho das instituições.

2. Zé Dirceu cotado para voltar à Câmara

Outro sinal que gerou ruído foi a possível candidatura de José Dirceu para deputado federal, com analistas políticos já cogitando seu nome como potencial presidente da Câmara em um futuro governo.

Para o investidor internacional, isso soa como concentração de poder, um movimento difícil de prever e mais difícil ainda de precificar.

Somando as peças: o mercado enxerga uma tempestade perfeita se formando

  • Polarização reacendendo
  • Centro político deslocado
  • Apoio de investidores a perfis mais técnicos esvaziado
  • Risco institucional ampliado por novas indicações ao STF
  • Possível hegemonia política sobre Legislativo e Judiciário
  • Fuga para ativos de proteção (dólar)

No ambiente corporativo, chamamos isso de “tiro no pé estratégico”: um movimento que, ainda que internamente faça sentido a um grupo político, produz externamente uma onda de insegurança difícil de controlar.

O dólar sobe porque é porto seguro.

A bolsa cai porque o investidor questiona o futuro.

E a economia real, infelizmente, sente primeiro e sente mais forte.

O país precisa reencontrar o eixo — e rápido

O Brasil não cresce sem centro.


Não atrai investimentos com volatilidade política.

Não se estabiliza sem equilíbrio entre os poderes.

A economia, sempre pragmática, mandou seu recado:

é hora de reduzir ruídos e retomar a racionalidade.


O país não suporta mais aventuras — de nenhum lado.

Se continuarmos nessa trilha, construiremos não um caminho, mas um campo minado para 2026.


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