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Arte & manhas | Desculpem-me por contrariá-los: a Terra é redonda

Por: Luís Bogo
14/01/2022 10:58
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Divulgação Representação do arco-íris na hipótese da "Terra plana"
Representação do arco-íris na hipótese da "Terra plana"

A despeito de muitas teorias negacionistas, a Terra é redonda, sim. A revelação, foi anunciada há mais de dois mil anos, pelo matemático e filósofo Eratosthenes, que viveu entre os anos de 276-194 antes de Cristo e envidou esforços para provar o que a maioria do planeta já sabe hoje.

Dentre esta maioria, creio que vale citar nosso astronauta, tenente-coronel e ministro da Aeronáutica, Marcos Pontes, que ainda vive em lua-de-mel com Bolsonaro, apesar de todos os cortes orçamentários sofridos pela pasta que ele comanda: da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil.

Erastothenes pode ser considerado um gênio por ter realizado este feito mais de dois mil anos antes de alguém ter viajado a uma estação orbital. Pena que muitos ainda não saibam ler mapas e se confundam com o que é direita e esquerda. Coisas de quem vive no mundo-da-lua ou imagina que céu e eternidade sejam a mesma coisa ou o mesmo assunto.

Ainda com relação ao negacionismo que está influenciando e afetando parcela da população, sinto-me obrigado a lembrar da minha prima Denise Teresinha Sborz, que faleceu no dia em que completava 19 anos de idade.

Nasceu 20 dias antes de mim e foi acometida por paralisia infantil. Teve a perna deformada e obrigou-se a inúmeras cirurgias e radiografias que afetaram sua medula óssea, acarretando uma leucemia atroz que a levou à morte. Era uma menina alegre, feliz, apesar do sofrimento marcado em seu corpo.

Citei o exemplo de Denise para fazer um contraponto aos que negam a eficácia ou recusam-se a vacinar contra a Covid-19. Se houvesse a Sabin quando Denise nasceu, talvez estivesse viva até hoje, salvo algum acidente. Quem se nega à vacinação ou não respeita as regras sanitárias faz parte de um grupo adepto a “vocações conspiranoicas”, como definiu a psicóloga Asheley Landrum, da Universidade Texas Tech, em artigo publicado no jornal El Pais, da Espanha.

No mesmo artigo, explica-se que “cada debilidade ou atitude desse coletivo está presente, de algum modo, em muitos dos movimentos políticos, sociais e anticiência que irrompem em nossos dias. (...) Fenômeno que nasce da desconfiança em relação ao conhecimento especializado”. Anticiência que tem sido coroada no Brasil pelo descarte de pessoas do quilate da infectologista Luana Araújo e de outros cientistas e médicos que se recusaram a participar de farsas patrocinadas pelo governo federal.

Voltando ao plano deste chão que até nos parece plano por conta da força da gravidade, vale a pena citar o casal negacionista que recentemente partiu de barco da ilha de Lampedusa, na Itália, com o objetivo de ancorar no limite, na fronteira da Terra “plana” com o espaço, onde supostamente o mundo se encontraria com uma infinita cachoeira ou com as bordas de sua salgada piscina.

Porém, perderam-se no Mar Mediterrâneo, e só conseguiram voltar porque foram encontrados por um funcionário do Ministério da Saúde da Itália, que os ajudou a usar uma bússola para navegarem de volta ao porto. Fundamental lembrar que a bússola é o instrumento que orienta ao magnético polo norte de nosso redondo planeta. E, assim, acredito que depois desta bisonha aventura, convenceram-se estar redondamente enganados.

Nesses tempos tão agrestes e secos, adubados apenas por notícias falsas, tenho usado este espaço para falar de amor e de outros sentimentos mais compatíveis com a palavra “humanidade”, no sentido de benevolência em relação aos nossos semelhantes, mas não posso me abster de comentar certas bizarrices.

Fique claro que o alerta do título desta coluna não vale para todos, mas quem até hoje não teve a capacidade de entender que a terra é redonda, jamais poderá questionar o funcionamento de urnas eletrônicas depois de ter sido eleito por elas.

Precisamos aparar certas arestas.


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