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Arte & manhas | A obstinação pela vitória e a possibilidade da derrota

Por: Luís Bogo
18/04/2022 13:18
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Instagram/Lourenço Bogo Viver é um esporte que exige concentração e movimentos precisos
Viver é um esporte que exige concentração e movimentos precisos

Se o mundo funcionasse de acordo com as minhas vontades, tudo seria perfeito para mim. Mas, eu não governo o mundo, graças a Deus.

Embora me rebele de vez em quando, tenho que me render ao mundo e a todo mundo, quase todos os dias. Pensando bem, todos os dias! E cumprir suas regras nem sempre saborosas, muitas vezes sequer palatáveis.

Lutamos com as obrigações mundanas desde o amanhecer com a esperança de que ao vencermos pequenas batalhas a guerra nos fará encontrar uma bandeira branca do outro lado da trincheira. Assim, quando o aviso de que erramos berrar em nossos ouvidos, o estímulo para tentar novamente será essencial para prosseguirmos neste singelo ou complexo ato de viver, de existir.

Saber refazer o trabalho quando surge o equívoco contornável é um exercício que vamos praticando desde as primeiras cartilhas e as primeiras provas na escola, no tempo em que a professora nos assinalava a resposta com um “C” cortado ao meio, em sinal de “meio certo”. E é assim que vamos aprendendo que o “meio certo” não significa “meio errado”, mas pode indicar incompletude na resposta.



O fato é que o nosso meio social, repleto de modelos inalcançáveis, não admite o “meio certo”. Devemos nos apresentar sempre perfeitos para sermos aceitos nos mais diversos ambientes, mesmo que isto nos exija alguma porção de hipocrisia. Esta imposição às vezes nos causa contrariedade, noutras nos causa dor e até mesmo repugnância; quando por motivos profissionais, por exemplo, engolimos sapos e somos obrigados a aceitar o inaceitável.

Porém, manter o estímulo de agir é essencial. Quem não o tem não servirá para semente. É preciso teimar, ser persistente, perseverar e apegar-se ao propósito e ao objetivo que nos colocamos, sabendo que situações contrárias ou poderosos adversários surgirão pelo caminho. E percalços, atrasos e eventuais derrotas fazem parte desta maratona chamada existência.

É possível, sim, comparar a vida com o esporte. Se pegarmos o tênis como exemplo, o jogador não pode admitir derrota em um torneio, pois se perder a partida de estreia, estará eliminado e não chegará ao título. Porém, emplacando uma série de vitórias consecutivas, pode até faturar um master series ou um grand slam e assim ir somando pontos que o reputarão, no mínimo, como um competidor competente ou até mesmo como campeão exemplar, mesmo que durante o percurso tenha mandado algumas bolas para fora das linhas ou desperdiçado algum smash.

Não é pecado sonhar com a glória do pódio. Mas, a exemplo do tênis, as vitórias nesta vida precisam ser construídas ponto a ponto, game após game, mesmo que vez por outra nos mandem aquela paralela indefensável de direita (embora as mais belas fossem as do Guga Kuerten, sempre de esquerda).

Outro detalhe importante: não podemos ter pressa para fechar o jogo: a determinação deve ser temperada com os óleos da calma e da paciência.




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