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Arte & manhas | Exemplos de amor que recebemos como herança

Por: Luís Bogo
25/04/2022 11:35
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Rachel Lima Pereira

Amar é uma capacidade especial. Quando se escolhe o amor como foco e exercício principal para se praticar durante esta coisa nomeada vida, nenhum gesto de afeto se terá ou se fará perdido, mesmo que tenha acontecido em longínquo passado. E mesmo que não seja restituído na mesma medida, jamais terá sido um desperdício, pois a rubra ou límpida fonte que faz jorrar o amor nunca se esgota.

O amor por alguém, aquele mais pessoal, específico e romântico, pode surgir a partir de um gesto, de um olhar, da visão de uma boca ou de um corpo inteiro que gera o desejo de compartilhar palavras e carinhos, podendo iniciar-se feito suave garoa até descambar em avalanche de paixão, em emoções avassaladoras.

Porém, existem amores que também brotam de gestos, de visões de bocas e de corpos inteiros que não tomam este caminho romântico ou erótico do pensamento: a mão estendida pedindo ajuda; a boca faminta a implorar comida; o olhar baço de tristeza e fome; ou as magras costelas da inanição, que nos fazem lembrar do quanto é necessário distribuir as réstias de amor que nossas próprias histórias e nossas décadas de vida nos permitiram poupar.

O exercício deste outro amor, deste amor não romântico, não é feito em academias de ginástica. Não é construído em pedaladas dominicais pelos parques da cidade. Sua centelha não se acende através do “torpedo” entregue pelo garçom na mesa do bar ou passado de mão em mão em sala de aula. Não é feito de discursos, a exemplo deste que vos faço agora.



Somos sete bilhões de pessoas neste planeta. Muitas nasceram depois de gestações complicadas e partos dolorosos, sobrevivendo, às vezes, por razões que nem mesmo a Ciência consegue explicar.

O amor que podemos herdar vem de ações anônimas: do gesto do bombeiro que resgata alguém do prédio em chamas; do voluntário ou religioso que leva alimento ao carente faminto que dorme ao relento; da enfermeira ou parteira que leva uma criança ao colo da mãe pela primeira vez. Do menino que recolhe o filhote de pássaro caído ao pasto e o devolve ao ninho.

Ao imaginarmos cenas assim, muitas vezes nos solidarizamos apenas com a vítima do acidente ou com os vulneráveis atendidos. Porém, embora as pessoas que os atendam não busquem recompensa e pratiquem estes gestos por altruísmo, teríamos a obrigação de reconhecê-las e tomar-lhes o amor que dedicam ao próximo não apenas como exemplo, mas como um tesouro, como referência de dedicação ao próximo e especial cartilha para que todos os seres humanos sejam conduzidos por caminhos suaves.

Na condição de um dos bilionésimos elementos que compõem este planeta, cada um de nós deve buscar espelhos que não reflitam a própria e falha imagem, mas aqueles que nos mostrem o reflexo de quem é mais útil e produtivo à humanidade. É evidente que temos talentos distintos e que cada um deva desempenhar as tarefas condizentes com suas melhores habilidades; porém, devemos receber qualquer exemplo de amor como verdadeira herança.

Como uma herança que não precisamos requisitar em cartório.



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