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Arte & manhas | Estou me sentindo fraco e seco, preciso de um abraço

Por: Luís Bogo
04/05/2022 10:34
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Divulgação "A Verdade saindo do poço" Jean-Léon Gérôme, 1896, Óleo sobre tela
"A Verdade saindo do poço" Jean-Léon Gérôme, 1896, Óleo sobre tela

Há tantos assuntos para se discutir. Tantas guerras a se observar. Muita dor e muita morte ao derredor. Entretanto eu estou fraco e sem palavras. Há dias estou assim, sem forças, quase calado, fazendo um profundo esforço para extrair de mim o mínimo que possa oferecer ao próximo. Estou exaurido, desgastado. Absorvendo violências e desamores.

Mas, engulo seco tudo o que sinto, e tento dedilhar este teclado com a sensibilidade de poeta que pretendo ser algum dia. Penso na mãe que faria aniversário hoje e penso naqueles lábios cor de romã que jamais beijarei. Penso na vida que vivi e nas que não vivi, por incompetência própria ou importunidade.

Pensar dói: muito. Por ser assim, muitos desistem deste exercício. Mas, pensar, apesar de doloroso, é muito bom.

De repente, me surge a palavra abraço e logo penso no significado de um abraço; do quanto ele pode conter de verdade e mentira, pois há o abraço afetuoso, quando mamilos se encontram, e há aqueles hipócritas, comuns em época de eleição, quando o candidato lhe dá três tapinhas nas costas e diz, ao pé do ouvido: - como é seu nome, mesmo? – E, depois sai, berrando: - o Luís é um grande companheiro!

Para ilustrar o tema “abraço” recorremos a uma lenda do século XIX:

A Verdade e a Mentira se encontram um dia. A Mentira diz à Verdade: "Hoje é um dia maravilhoso"! A Verdade olha para o céu e suspira, pois, o dia estava realmente lindo. Elas passam muito tempo juntas, e chegam ao poço para se banhar. A Mentira diz à Verdade: "A água está muito boa, vamos tomar um banho juntos!" A Verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que de fato está muito boa. Elas tiram as roupas e tomam o banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge. A Verdade furiosa sai do poço e corre por todos os lugares para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta. O mundo, vendo a Verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva. Desde então, a Mentira viaja pelo mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque o Mundo, em todo caso, não tem nenhum desejo de conhecer a Verdade nua”.

E assim vivemos e existimos, fugindo da verdade ou procurando-a. Pois nossas verdades podem parecer mentiras a ouvidos terceiros. E nossas verdades, as mais profundas, não se revelam em palavras.

Da mesma forma, mais do que o beijo, que é sinal de profunda intimidade, o abraço, o enlaçar de corpos vestidos ou desnudos é a grande demonstração de verdadeiro afeto e carinho. É quando corações se tocam e a testa cansada encontra um ombro para buscar refresco e repouso. É quando o respirar ganha fôlego com o pulsar da amiga, é quando a pele ganha a cor de um outro sangue, é quando a vida se ressuscita no calor do outro.

Esquecido ou menosprezado, vulgarizado em algumas ocasiões, o abraço deveria ser um gesto um tanto mais considerado. O importante, é que seja muito verdadeiro, não interessando se é temperado por sorriso, beijo, lágrima, ou tudo isso junto.



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