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Arte & manhas | A Poesia e suas ansiedades

Por: Luís Bogo
26/07/2022 11:54 - Atualizado em 26/07/2022 11:58
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Divulgação Obra de Magritte, que ilustrou a capa de meu primeiro livro
Obra de Magritte, que ilustrou a capa de meu primeiro livro

A cada vez que concluo um texto, me vem a necessidade de vê-lo publicado.

Quando comecei a me interessar por literatura, ainda criança, nasceu em mim o sonho de publicar um livro. A oportunidade surgiu em 1986, quando conheci Massao Ohno (1936-2010).

Gostaria de ter a capacidade intelectual de descrever Massao como editor. Mas ao longo de quase 30 anos de convivência, acabei sendo mais amigo do que editado. Massao me apresentou autores que eu não conhecia, fez-me ler Paul Valéry e seu “Cemitério Marinho” e quase me fez amigo de Paulo Mendes Campos, com quem me encontrei algumas vezes em restaurantes do Leblon. Também me proporcionou muitas horas de conversa com João Cabral de Melo Netto.

Eu e João Cabral morávamos há cerca de um quilômetro. Eu na Praia de Botafogo, 58 e ele na Praia do Flamengo, 116. Massao discutia com Marli de Oliveira, esposa de João, o lançamento de sua antologia poética, enquanto bebiam whiskie do bom.

Cabral acabara de ser operado de um câncer de estômago, e eu, embora não estivesse doente naquela época mantinha a abstinência e batia papo com ele como se fôssemos amigos de longa data. Eu e João ficávamos falando de futebol. Do Náutico, seu clube de coração, pela origem, do Palmeiras, que adotou depois; passando pelos ícones das seleções brasileiras e alemãs, onde ele serviu como cônsul ou adido, salvo engano.

Além disso, eu e Massao gastamos infinitas e eternas horas em seu estúdio, discutindo coisas que, para os desinteressados podem parecer insignificantes, como é insignificante para mim o soldado ter que lustrar a bota para colocá-la na lama no instante seguinte.

Massao e eu falávamos de arte, política, dos erros de revisão em jornais e nos livros que nós mesmos publicávamos. Uma das frases que ele me disse e que mais me marcou foi a seguinte: “- Depois de impresso, o erro grita em letra de forma”.

Por isso é que esta função de escrever é tão complicada. Enquanto estamos diante de um teclado, mecânico ou eletrônico, nos parece que tudo transcorre perfeitamente, que os dedos correspondem ao que vai pela mente. Mas não é bem assim. Nem sempre o corpo responde ao pensamento. E o ero aparece. (Aqui foi de propósito!).

Quando me dedico a escrever poemas, coisa que não tenho feito há algum tempo, penso em trazer à memória lembranças positivas, que tragam para todos, e não somente a mim, uma mensagem de esperança ou alerta, posto que estamos diante de coturnos engraxados e prontos a chutar nossos traseiros.

Comecei este texto lembrando Massao porque aquele dia, o lançamento do meu primeiro livro “Na Direção Exata”, no antigo “ Bar Avenida”, foi um dos mais felizes da minha vida.

Realizava um sonho de infância. Ser poeta, escritor, talvez artista.

Hoje, não sei se sou reconhecido de tal forma. Apenas distribuo memórias, procurando adaptar minhas recordações ao momento atual, de modo que eu mesmo e todos os meus leitores possam aproveitá-las de alguma forma.

A Ciência, que pode ser traduzida como conhecimento, sempre foi parceira da Arte. Nunca da ignorância ou violência.

A neurociência nos ensina que as lembranças positivas podem alavancar atitudes e intenções promissoras.

Voltar ao passado, nem sempre é morrer. É uma arte que nos ressuscita.




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