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Arte & manhas | Trens azuis e as coisas que esquecemos de dizer

Por: Luís Bogo
28/07/2022 13:51
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Divulgação Capa do disco Clube da Esquina, de 1972
Capa do disco Clube da Esquina, de 1972

Uma das canções que mais marcou minha adolescência e Juventude foi “Trem Azul”, dizia assim:

“Coisas que a gente se esquece de dizer
Frases que o vento vem as vezes me lembrar
Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar”.

Estes versos de Lô Borges sempre fizeram muito sentido para mim. Desde a primeira que os ouvi, ainda jovem, até hoje, já idoso.

Quando somos jovens, às vezes falamos demais. Inclusive, algumas barbaridades. Talvez perdoáveis, pela ignorância e imaturidade. Ao envelhecermos, procuramos falar menos e com um pouco mais de sabedoria, embora esta Senhora, a tal Sabedoria, nem sempre esteja ao nosso alcance.

Esta questão sobre “como, o quê, onde e quando” dizer alguma coisa para alguém não é um assunto jornalístico. É um assunto cotidiano que exige um equilíbrio que muitas vezes nos escapa, por timidez ou, ao contrário, incontinência verbal.

A canção citada nos remete, também, à busca pela felicidade, ao desprezo pelos dissabores e à esperança de que algum dia a caminhada em terras pedregosas nos leve a um mundo menos árido e mais sadio. É um hino à esperança.

Neste momento em que vivemos surtos de violência, cabe-nos a obrigação de dizer que, apesar de todas as notícias ruins, ainda há esperança, que ainda é possível sonhar com um “trem azul”, mesmo que tenhamos que gotejar nosso suor para emendar os trilhos por onde ele vai correr.

Nada é fácil. Nem sonhar é fácil. Nestes momentos de dor, fome e ameaças que vivemos, pesadelos costumam ser mais comuns do que os bons sonhos.

Li recentemente (não sei onde!) que “a cura não está no esquecimento, mas em lembrar sem sofrimento”.

Sim, a História deve ser nossa professora. Devemos nos pautar pelo passado para projetarmos melhor futuro.

Embora muitos julguem a Literatura coisa supérflua, acredito que algumas linhas – que não são as férreas – podem, vez em quando abalar algumas opiniões. Sempre respeitando a democracia e o contraditório.


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