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Arte & manhas | A respeito do constante e do desprezível

Por: Luís Bogo
04/08/2022 11:18
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Nasa Imagem da NASA obtida pelo telescópio Hubble, mostrando o universo em constante expansão
Imagem da NASA obtida pelo telescópio Hubble, mostrando o universo em constante expansão

Nada é desprezível. Tudo é aprendizado. Mesmo que não se apreenda ou aprenda o que foi visto num primeiro momento.

Porém, algum dia a memória nos fará lembrar de uma passagem que pareceu tola num tempo passado. Vivemos de instantes. E alguns se prolongam à eternidade.

Constante é aquilo que gruda na alma ou na retina. Pode ser imagem de nuvem. Pode ser imagem de ilha. Constante é o que permanece. Seja no céu, seja sobre um rochedo ou no fundo do mar. Em grotas frias ou em belos horizontes, sempre encontraremos tesouros e poesias.

A vida poderia ser poema, ritmada como um soneto, embora nem sempre seja. Sempre existirá a possibilidade de aparecer “uma pedra no meio do caminho” que transforme a rotina de caminhar em passo manso, num poema eterno e aflitivo.

A vida é uma “entidade” que nos apresenta possibilidades reais e que se renovam a cada minuto, como um sonho interminável. Porém, nos faz lembrar do machucado provocado pela pedra ou por outro obstáculo, caso ele tenha significado mais do que uma pequena pedra.

Topar com uma pedra pode doer mais do que rever poemas e palavras rabiscadas num guardanapo de restaurante. Entretanto, dependendo do conteúdo rabiscado, o guardanapo manchado com as tintas do coração pode fazer com que ele ganhe moldura e espaço nobre na parede.

É difícil – mas ao mesmo tempo simples – falar sobre constância. Ela é o que marca e acompanha uma trajetória de vida. Constante é menos fato e mais sentimento. O fato é coisa fugaz: um atropelamento ou outro qualquer acidente, natural ou de trânsito, acontece em fração de segundos. Seja raio ou avalanche, o fato provocará estragos e trará consequências devastadoras, a começar pelos danos materiais que podem provocar.

Porém, vejamos assim: inevitavelmente, o fato gera um sentimento, e é ele que vai te seguir ou perseguir ao longo da existência, provocando a constância e uma sucessão de gestos e atitudes que garantirão a história e a permanência do instante primeiro ou do ato primordial.

A sedução, por exemplo, é uma manobra quase sempre consentida (por favor, não vamos confundir com violência sexual). Claro que deve haver uma iniciativa, um convite, para que se inicie qualquer relacionamento, especialmente os amorosos, mas há que existir respeito e elegância em qualquer ato social.

O que desprezarmos de imediato, em qualquer circunstância, servirá apenas como uma lição, objeto de reflexão posterior. Poderá mesmo gerar uma pequena dúvida, mas será coisa a ser resolvida em futuro próximo ou distante. Algumas vezes, tem menos a ver com desprezo e mais com certa inconstância particular.

O constante é o que faz história, apesar da História da humanidade ter passagens desprezíveis como o fascismo e o nazismo.

Esta Terra em que vivemos ainda continua a orbitar em torno do Sol porque prevalecem as ideias que privilegiam a constância, a manutenção da espécie, em contraponto aos que propõem guerras e violências, visto que, apesar de frequentes e abomináveis, os atos violentos são coisas eventuais.

Em contraponto, os amores que nos movem, a começar pelo amor à vida, são constantes e integrantes de toda a nossa existência. Depois de percebermos e declararmos tal amor à VIDA, adicionaremos outros nomes neste suposto matrimônio que estabelecemos com o mundo: virão os nomes que remetem a romances, aos filhos e aos esportes que apreciamos, entre outras possibilidades.

O que me parece fundamental sobre a palavra “constância”, principalmente quando se refere a uma relação amorosa, é que ela não deve ser comparada a uma torneira que deixa pingar gotas de água continuamente, em evidente desperdício. A constância é guardar no peito e na memória a água que não caberia no mar.



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