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Entrevista | BC é terra de progresso e necessita de uma reforma administrativa, diz Juliana Pavan

Por: Marcos Schettini
19/04/2021 16:52 - Atualizado em 19/04/2021 17:04
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Transparência Criciúma
Reprodução/Facebook

Das 19 cadeiras legislativas de Balneário Camboriú, somente uma é ocupada por uma mulher. Juliana Pavan, de família tradicional de BC, foi eleita no ano passo com 994 votos e é a única voz feminina na Câmara de Vereadores. Forte na defesa de seus ideais, ela afirma ser atuante como vereadora, aprovando projetos que define como importantes para sociedade e votando incisivamente contra quando achar necessário.

Filha do ex-governador Leonel Pavan, a tucana concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini e falou sobre sua imersão na vida pública, apontou os desafios do mundo político e comentou as necessidades da cidade governada pelo prefeito Fabrício Oliveira (Podemos).

A vereadora Juliana Pavan também afirmou que uma reforma administrativa seria necessária para diminuir o número de cargos existentes na Prefeitura de Balneário Camboriú que, segunda ela, é maior que Blumenau, cidade três vezes maior. Ainda, falou do legado do pai, das exigências da juventude e definiu BC como “terra de progresso”. Confira:


Marcos Schettini: Você está entrando na vida pública agora. Qual é a sua meta e objetivo com essa inserção?

Juliana Pavan: Na verdade, estou militando na política há muitos anos, contribuindo em campanhas eleitorais e também na direção partidária. Mas, de fato, somente em 2020 coloquei meu nome à disposição da comunidade para um mandato eletivo e tive a honra de ser eleita vereadora já na primeira candidatura. O objetivo sempre será o bem representar as pessoas, trabalhar com transparência e apresentando resultados concretos. Minha missão na política é servir e assim contribuir com as mudanças que a sociedade tanto aguarda.


Schettini: Quais os desafios que você observa no mundo político e na condição de mulher?

Juliana Pavan: O maior desafio é o de aliarmos a promoção da justiça social, garantindo essa função básica do governo, mas também o de construir mudanças que permitam a estrutura do poder público ser menos burocrática e ao mesmo tempo mais eficiente, democrática e transparente. Como única mulher integrante da atual legislatura, vejo atualmente também a falta de bandeiras de motivação na sociedade. Estamos atravessando um momento difícil, de muitas brigas, disputas, ofensas, de plena desconstrução. Precisamos aprender com tudo isto para fazermos justamente o contrário: unir e inserir as pessoas (de todos os grupos) na discussão política, até como instrumento de exercício pleno da cidadania.

Schettini: O que Balneário Camboriú precisa de imediato?

Juliana Pavan: Fui muito questionada sobre isso na eleição. Para todos que me perguntavam, eu respondia sem titubear: Balneário Camboriú precisa, em resumo, de gestão. Com boa gestão, todas as demais áreas acabam sendo beneficiadas. Parece estranho uma candidata falar de termo técnico na eleição, mas acredito que a população tenha entendido nossa mensagem.

Vou explicar: para cada pessoa a sua demanda é a mais prioritária possível. Mas para a Prefeitura, a maior prioridade deveria ser a aprovação de uma reforma administrativa ampla, que corte os cargos comissionados em excesso que temos atualmente (mais do que Blumenau, cidade três vezes maior que a nossa). Diminuir o número de Secretarias, cortar o número de alugueis de prédios públicos, dentre outras medidas tecnológicas que são fundamentais para que a sociedade veja que em meio a Covid-19, a prefeitura também está fazendo sacrifícios. Não pode sobrar sempre e somente para o contribuinte.

Com uma estrutura mais enxuta e eficiente, acredito que seria possível para a prefeitura fazer muito mais, pois sobrariam mais recursos, especialmente nas secretarias de ponta que executam políticas sociais.


Schettini: Você é oposição ao prefeito Fabrício Oliveira. Sua atuação política não é suspeita para cobrar a gestão dele?

Juliana Pavan: Na minha primeira participação na tribuna da Câmara de Vereadores deixei bem claro o posicionamento que vai nortear nosso mandato: não sou vereadora de situação, e nem de oposição. Sou uma parlamentar de opinião, que vai aprovar a aplaudir tudo que for de interesse da população, mas que também vai votar contra e vaiar veementemente todas as ações que vierem na contramão da necessidade da comunidade. Não acredito que minha atuação política seja suspeita, muito pelo contrário. Atuação política suspeita é de quem indica cargos na prefeitura e precisa votar de acordo com as ordens do terceiro andar da Prefeitura. A minha atuação é transparente e independente, com muito orgulho.

Juliana Pavan foi a única vereadora eleita em Balneário Camboriú nas eleições de 2020 (Foto: Reprodução/Facebook)

Schettini: Mas o prefeito foi reeleito. Isso não indica que ele está trabalhando?

Juliana Pavan: O prefeito foi reeleito, nós nos curvamos ao resultado das urnas e reconhecemos sua vitória e seus méritos. Inclusive, se usarmos como base dados quantitativos, veremos que em 2020 houve uma forte tendência em todo o país de reeleição dos prefeitos que já estavam no cargo. Porém, o prefeito fez promessas para este novo período, sendo que tem promessas pendentes de execução desde 2017. Então, fica evidenciado que não existe bom governo sem uma Câmara Municipal forte e independente. O Legislativo é um poder de caráter fiscalizatório, não fomos eleitos para concordar com tudo e sem nada questionar. Democracia não é sinônimo de harmonia, democracia é regime onde deve prevalecer o debate e a cobrança para que de forma colaborativa todos deem sua contribuição para a construção de uma sociedade melhor. Eu estou fazendo minha parte.


Schettini: A pandemia está trazendo fome, desemprego e problemas familiares. Qual a saída?

Juliana Pavan: Como disse acima, a primeira iniciativa deve ser do próprio poder público, de demonstrar com medidas efetivas de que neste momento de dificuldade está promovendo mudanças estruturais internas, em todas as esferas. Acredito que prioritariamente devemos lutar pela união entre governos (federal, estaduais e municipais) para que a vacinação atinja toda população no menor prazo de tempo possível, pois é ação cientifica de resultados comprovados e imprescindível para podermos planejar nosso futuro.

Por outro lado, não há tempo a perder. Os reflexos econômicos negativos poderão impactar ainda mais na sociedade, com consecutiva queda na arrecadação e a possível suspensão de serviços públicos essenciais por falta de recursos. Deste modo, entendo como necessário o suporte ao comércio e empresas, das mais variadas formas, num primeiro momento para atravessarem o período de crise sem fechar portas e vagas de emprego, problemas que aumentam o caos social. E depois, vencida a crise, é imprescindível um plano de retomada econômica que nos faça recuperar o tempo perdido, com perfeita união entre o capital e o trabalho.

Schettini: O que você espera de 2022 no plano nacional e em SC?

Juliana Pavan: Espero que seja o ano da retomada. Retomada da vida cotidiana normal, dos contatos e dos abraços, após a massificação da vacinação junto a população. Retomada econômica, com a revogação de medidas restritivas que tem prejudicado quem gera emprego e renda. E retomada da agenda política propositiva, pois desde março de 2020 os jornais, o Congresso, a sociedade, estamos todos focados em um único assunto. Portanto, vencer a Covid-19 e virar a página neste momento torna-se fundamental, pois quando falo da agenda política, refiro-me às reformas estruturantes que o país precisa (e com as quais o presidente Bolsonaro e o governador Moisés se comprometerem em realizar), mas que infelizmente acabaram não avançando porque não constituem-se em pauta prioritária num momento de pandemia.


Schettini: A juventude não é apática e despolitizada para exigir rumos de futuro?

Juliana Pavan: A juventude está cada vez mais politizada e inteirada sobre tudo que acontece no país, especialmente com o advento das redes sociais. Temos o dever de lutar, exigir, reivindicar. Esta postura questionadora está na essência da juventude. Por isto tenho elaborado propostas legislativas para incentivar o primeiro emprego e também a inserção política. Para o jovem participar de forma consciente e propositiva na vida pública precisa também ter acesso a educação e ao emprego, não existe outra fórmula para o desenvolvimento do espírito crítico e cidadão.

Schettini: O ex-governador Leonel Pavan gravou um vídeo perguntando onde estão os amigos e a vida normal. É uma dor de todos?

Juliana Pavan: Meu pai exerceu os mais diversos mandatos, no Executivo e Legislativo, e sempre esteve próximo das pessoas. Leonel Pavan tem uma vida dedicada à sociedade e nunca viveu enfurnado dentro de gabinetes, sua forma de fazer política é a do contato, do aperto de mão. Então, naturalmente que neste momento singular ele acabe sentindo falta dos inúmeros amigos, encontros, reuniões de ferinos. Até porque, eu e meu irmão Leonel Junior, cobramos rigorosamente de nossos pais o cumprimento do distanciamento social. Esta dor que toda a sociedade vive no momento vai passar, sou uma mulher de fé e o otimismo me move. Tenho certeza que em breve vamos recuperar nossa condição plena de vida em sociedade, integração, circulação – sempre com muita proteção.


Schettini: Balneário Camboriú é só construção civil e turismo?

Juliana Pavan: Balneário Camboriú é uma cidade que tem na sua essência, desde a emancipação, a lógica de acolhimento e inclusão. Somos um município formado da mistura de nativos e dos que escolheram essa terra para viver, trabalhar e constituir família. Neste território solidário, há espaços para todas as pessoas, todos os segmentos. No quesito econômico, a construção civil e o turismo são os pilares de sustentação de um destino turístico que alia belezas naturais, história, lazer, eventos, além de bela arquitetura. Atualmente, nossa economia diversificou-se, somos um importante polo regional de comércio e serviços, por exemplo. Além disto, temos potencial para desenvolvimento de uma matriz econômica complementar, voltada a tecnologia da informação (TI), e esta também é uma bandeira de nosso mandato. Tudo isto demonstra que BC é terra de progresso. Um mar de oportunidades, onde nossos sonhos tornam-se realidade!


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