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Entrevista | Cesar Valduga é uma das apostas do PCdoB para retomar cadeira na Alesc

Por: Marcos Schettini
03/08/2022 17:48 - Atualizado em 03/08/2022 17:49
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Rodolfo Espínola/Agência AL

Liderança importante do PCdoB de Santa Catarina, o ex-deputado estadual Cesar Valduga está percorrendo o Estado para apresentar as propostas que irão ser analisadas pelo eleitor no dia 02 de outubro. Motivado em retornar à Alesc, Valduga está no terceiro mandato como vereador em Chapecó e é uma das apostas do partido comunista para retomar uma representatividade no Parlamento catarinense.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, o pré-candidato a deputado estadual pelo PCdoB falou do momento vivido no Brasil, das necessidades dos brasileiros e dos motivos que lhe encorajaram a buscar novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa. Recuperando-se de um AVC sofrido recentemente, Valduga afirma que, embora precise desacelerar, vai continuar mantendo diálogo e proximidade com os cidadãos de SC. Ainda comentou sobre Lula da Silva, relembrando o legado deixado pelo ex-presidente aos catarinenses e disse que esta eleição será para garantir democracia, desenvolvimento econômico e inclusão social. Também explanou da sua relação com o prefeito João Rodrigues e comparou o eleitor de 2018 com o de 2022. Confira:


Marcos Schettini: Aquela ruptura da política em 2018 colocou o Brasil em que cenário atual?

Cesar Valduga: De fome, miséria, desemprego, recessão econômica, num clima social pesado, com rivalidades que extrapolaram o campo das ideias. Nós sempre apostamos no melhor para o Brasil. Nós torcemos para que o governo desse certo, mas, infelizmente, foi um desastre. O Brasil retrocedeu economicamente - e não foi culpa da pandemia como alguns dizem, e sim da condução política. Nós precisamos voltar a sorrir, ter comida na mesa, diminuir a desigualdade social e voltar a ter políticas de desenvolvimento econômico e habitacional. Sabemos que sem o econômico não se faz social. Na economia não existe milagre. Mas precisamos fomentar o desenvolvimento econômico, por meio de um projeto que seja progressista e inclusivo.

Schettini: O senhor foi deputado estadual e vai disputar novamente este espaço. Por quê?

Valduga: Fui deputado estadual entre 2015 e 2018, eleito com mais de 18 mil votos. A Alesc me reconheceu como o deputado mais atuante do mandato. Apresentei 105 Projetos de Lei, encaminhei R$ 5,7 milhões em emendas para saúde, educação, infraestrutura, agricultura e R$ 3,9 milhões em proposições ao fundo social para 25 municípios catarinenses. Essa caminhada me motiva muito pelo que já fizemos. Eu legislei para todos e todas. Deixamos uma marca importante na luta pelo respeito às mulheres, à agricultura familiar, aos servidores públicos. Contribuímos para tornar os recursos públicos mais eficientes. Estou disposto a atuar novamente como fiscalizador e legislador pelas causas importantes para nosso Estado.


Schettini: O eleitor de 2018 não é o mesmo de 2022?

Valduga: Acredito que não. Houve uma mudança muito grande, muitos se arrependeram do voto dado à direita e extrema-direita. Os jovens estão cada vez mais politizados e muitos foram atrás do título para votar pela primeira vez porque suas famílias foram atingidas diretamente pelas ações de Bolsonaro. A população está atenta e percebeu que, com ele, não deu certo.


Schettini: A democracia brasileira está em colapso?

Valduga: Está prestes a colapsar. As instituições democráticas estão desacreditadas e isso fragiliza nossa imagem perante os investidores e os organismos internacionais. Se não houver uma rápida mudança de direção, será um desastre para o Brasil. Questionar a legitimidade das urnas eletrônicas é algo muito sério. O negacionismo de Bolsonaro a partir da pandemia gerou um grande problema para a saúde pública, ao desacreditar na ciência e nas vacinas. Ele não tem diplomacia, não aceita críticas, é imaturo, não respeita as mulheres, descuidou da questão ambiental... Um verdadeiro caos.


Schettini: As ideias do PCdoB, no final, não são as mesmas do PT?

Valduga: O PCdoB e o PT possuem diferenças programáticas de organização. Ambos os partidos têm importantes processos de discussão e democracia, mas enquanto PT organiza-se através de correntes internas, o nosso não, por exemplo. No geral apresentamos importantes pontos de convergência, em defesa da democracia e do desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Daí a necessidade de composição na federação de partidos formada pelo PT, PCdoB e PV, objetivando, acima de tudo, garantir democracia e desenvolvimento econômico, com inclusão social.


Schettini: A chamada Frente Popular em SC não é sempre os mesmos?

Valduga: É claro que não. No decorrer dos anos, muitas lideranças foram alternadas. Veja o nosso partido, o PCdoB, hoje temos um presidente com muita experiência de vereador, uma grande liderança em Criciúma. O Douglas Mattos assumiu o nosso partido há pouco tempo. A juventude está mais presente. Nossa pré-candidata a deputada federal pelo PCdoB, Giovana Mondardo, é uma jovem de 29 anos, dentista, professora universitária. Todas as lideranças ali são importantes, sejam experientes ou não, mas que se somam neste grande projeto para o Estado. Respeitamos todos os partidos, em especial os que estão fazendo essa grande Frente para essa mudança que nós precisamos para o nosso país e para o Estado de Santa Catarina.

Schettini: Lula da Silva não apareceu em SC. Ele tem medo de ir em um Estado muito bolsonarista?

Valduga: Falar em Lula é motivo de muita alegria, muita satisfação. Lula fez muito pelo Estado de Santa Catarina: conquistamos a Universidade Federal da Fronteira Sul, o Instituto Federal, Hospitais, UPAs, projetos significativos para nossa agricultura familiar, o Minha Casa Minha Vida, a Farmácia Popular e tantas outras obras. Lula sempre esteve presente aqui no Estado e, com certeza, dentro dos próximos dias voltará, não só na campanha, mas virá enquanto presidente para dar continuidade ao trabalho.


Schettini: O que houve com sua saúde?

Valduga: No dia 04 de julho tive um pico de pressão bastante significativo. Minha glicose também estava alterada. Estava na Câmara e não me senti muito bem. Tive um AVC leve que, graças a Deus, não deixou nenhuma sequela. A única coisa que senti foi um mal-estar. Passei 15 dias na UTI deitado de barriga para cima, sem poder me movimentar direito por conta dos aparelhos e soro. Estive consciente o tempo todo e muitas coisas passaram pela minha cabeça. Percebi na pele a nossa fragilidade enquanto ser humano. Os profissionais que me atenderam foram excelentes. Minha esposa, Margarida, esteve ao meu lado o tempo todo. Tenho muito a agradecer. As inúmeras mensagens de apoio e manifestações de carinho estão sendo fundamentais. Estou seguindo as orientações médicas para me recuperar e voltar ao trabalho. Sou muito ativo e para mim não é fácil ficar parado. Sinto falta de estar na rua, na Câmara, conversando com as comunidades, mas sei que é preciso desacelerar.

Schettini: O senhor é vereador em Chapecó. Qual sua relação com João Rodrigues em um município cercado por bolsonaristas?

Valduga: A relação com o prefeito sempre foi muito amistosa, bem democrática, com muito respeito. Minha relação com o prefeito é boa, a gente dialoga, ele me recebe quando eu solicito. Ele me respeita e eu o respeito. É claro que no campo das ideias, os projetos políticos são antagônicos e no debate na Câmara de Vereadores acabamos divergindo, isso é natural, até porque eu fui eleito para legislar e fiscalizar os atos do Poder Executivo. Fui eleito pela terceira vez como um dos vereadores mais votados. Isso é uma grande responsabilidade, e minha resposta é o compromisso com as pessoas, acima de tudo. A política não pode ser um balcão de negócios, um toma lá, dá cá. Não é assim. Então eu faço o contraditório. Esse é meu papel enquanto vereador.


Schettini: Não seriam as chamadas Ideologias que dividem o país? Como unir o Brasil?

Valduga: Não vejo que o país esteja dividido. Uma ampla maioria quer comida e condições melhores de vida, desenvolvimento, prestação de serviços essenciais, como saúde e educação. Do outro lado, existe uma camada considerável da sociedade, em torno de 30%, que representa o retrocesso, com cunho fascista, de racismo, homofobia e que quer resolver os problemas sociais na bala, o que é um perigo. Por outro lado, Lula capitaneia um projeto que pretende envolver a ampla maioria da sociedade, os 70%, tanto é que convergiu para o centro, buscando setores democráticos na sua composição, a exemplo de seu vice, Geraldo Alckmin.


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