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Entrevista | Pedro Uczai faz análise de conjuntura e observa que oposição unida pode vencer João Rodrigues em Chapecó

Por: Marcos Schettini
11/06/2024 16:48
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Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Liderança petista com reiterados mandatos parlamentares em Santa Catarina, Pedro Uczai tem tido diversas vitórias eleitorais após governar Chapecó entre 2002 e 2004. Nome respeitado no Congresso Nacional e com ininterruptos trabalhos realizados na Comissão de Educação, o petista viveu diferentes momentos políticos, desde a alta popularidade lulista, a queda de Dilma Rousseff, prisão de Lula da Silva, ascensão da extrema direita com a eleição de Jair Bolsonaro e agora com o retorno do metalúrgico do ABC ao Palácio do Planalto.

Realizando um extenso relato das entregas do governo federal em Santa Catarina, comparando momentos e resultados, o congressista concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini e apontou os trabalhos que tem realizado para colocar os catarinenses novamente sob os holofotes merecidos.

Fazendo analogias e apresentado números, expõe que Lula da Silva tem se dedicado em transformar o Brasil em um país capaz de liderar a transição energética e ambiental no mundo, para que o desenvolvimento avance aliado com a preservação ecológica, com objetivo de minimizar os efeitos climáticos que tem afetado todos.

Assim, apontou que o Partido dos Trabalhadores busca enfrentar o debate político de modo verdadeiro, inclusive em Chapecó, cidade atualmente governada por João Rodrigues, que irá à reeleição com apoio total do bolsonarismo. Mesmo reconhecendo os resultados da Capital do Oeste, expõe que a oposição unida pode derrotar o atual prefeito nas urnas. Confira:


Marcos Schettini: O Sr. tem experiência suficiente para conviver com deputados bolsonaristas com tranquilidade?

Pedro Uczai: A convivência democrática, plural, diversa, entre os antagônicos, faz parte do jogo democrático. Agora tem uma extrema direita, desqualificada, cuja a sua narrativa é para eleger o inimigo, eleger uma pauta que não sustenta na realidade, e com essas figuras não tem convivência, porque eles não sabem conviver com o adversário, com o diferente, com o plural. Então, a gente ignora.


Schettini: Por que SC aceita tão fortemente as fakes news da oposição ao governo Lula?

Uczai: As fake news se transformaram em uma prática política, não é só esconder a realidade, é negar a realidade. O negacionismo da vacina, o negacionismo ambiental, o negacionismo da ciência, mas também no cotidiano da prática política. Mentir. E essa mentira acaba se tornando uma cultura política. E, em segundo lugar, não tenho dúvida que a democracia foi derrotada na última semana, quando fake news e a mentira não foram criminalizadas. Lamentavelmente estamos vivendo tempos sombrios e que precisam de reação da sociedade brasileira.


Schettini: SC passou quatro anos no governo Bolsonaro. O que o ex-presidente trouxe para o Estado?

Uczai: Quatro anos de governo Bolsonaro, eu andei com um binóculo pelo Estado, provocando a extrema direita, para ser convidado para a inauguração de uma obra importante, uma obra significativa, em qualquer área de Santa Catarina. E, lamentavelmente, eu não fui convidado para nenhuma obra. Na infraestrutura, só para manutenção, o Bolsonaro mandou R$ 264 milhões. O nosso governo, no primeiro ano, mandou R$ 1,1 bilhão e esse ano vai passar de $ 1,1 bilhão em investimento nas nossas rodovias federais. Como na 470, 280, 285, 282, 163 e nas demais rodovias federais. É uma diferença substancial e os fatos deveriam explicitar uma profunda diferença no trato do atual governo com SC. Nem vamos falar do PAC Seleções, voltamos com o PAC de habitação, Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, novos Institutos Federais, como Tijucas, Mafra e Campos Novos. Investimentos em todas as áreas em SC.

Schettini: E o governo Lula? Quais são os recursos já em poder do governo estadual?

Uczai: O governo do presidente Lula não está preocupado se teve votos suficientes para se eleger ou não. É um governo republicano, respeitoso, que está preocupado com o povo brasileiro e catarinense. Por isso que SC está sendo tão priorizada no nosso governo, em todos os âmbitos: créditos, financiamentos, como da Finep, para as grandes cooperativas catarinense, R$ 160 milhões. Parques tecnológicos, como em Palhoça, R$ 14,9 milhões, Criciúma, parque da Unesc, R$ 11 milhões, curso de Medicina, que foram autorizados em Curitibanos, queremos dobrar também as vagas de Joinville, Blumenau e Chapecó. Diversos programas sociais, só do PAC Seleções chegaram mais de R$ 1 bilhão, para unidades de saúde, escolas em tempo integral e outros equipamentos públicos, bem como o apoio à economia, que vai refletindo nos empregos e apoios para SC. Cresce o emprego, cresce a economia, reduz a inflação, não do jeito que nós gostaríamos, porque o Banco Central ainda é indicado pelo ex-presidente, mas reduzindo a taxa de juro. Não tenho dúvida que vai aquecendo a economia brasileira e também em SC. A abertura de novos mercados mundiais, para 50 novos países, SC se beneficia, porque é um Estado exportador. Infraestrutura volta ser prioridade para SC, educação superior volta a ser prioridade, o PAC em relação aos municípios, volta ser prioridade, em relação a Santa Catarina.


Schettini: O PT tem se comunicado muito mal com o cidadão. Por que esta dificuldade?

Uczai: A comunicação é um tema complexo e difícil de enfrentar em épocas de mentiras, de intolerância, de ódio, de enfrentar a verdade. Uma coisa é você comunicar a verdade, comunicar os acontecimentos. Outra coisa é negar os acontecimentos, com narrativas, com versões, disputas ideológicas da extrema direita. Se você quer ter like nas redes sociais, você alimenta o ódio, alimenta o preconceito. Essa comunicação é nefasta para a sociedade, para as famílias, eles estão dividindo as famílias. Essa extrema direita alimenta a intolerância e o ódio. Portanto, esse tipo de comunicação nós não podemos fazer nas redes sociais. Nós temos que fazer uma comunicação ética, plural, a partir da realidade concreta, portanto é um grande desafio neste momento, não só do nosso mandato, mas do partido e dos que defendem a sociedade brasileira.


Schettini: Lula da Silva ainda não compareceu em SC. Qual o motivo?

Uczai: Eu acredito que o Presidente Lula, vai ter uma boa oportunidade para vir a Santa Catarina, como assinar a concessão do Porto de Itajaí, inaugurar a BR-163, no Extremo-Oeste. Quem sabe no próximo ano, assinar a ordem de serviço para iniciar a obra da ponte sob o Rio Uruguai, ligando Itapiranga e Barra da Guarita (RS). Ou inaugurar outras obras em andamento em SC. Então, ele terá outras oportunidades de vir aqui para o Estado. Como todos têm acompanhado, o Rio Grande do Sul tem sido prioridade do presidente, que foi para lá quatro vezes para socorrer e reconstruir o Rio Grande e se solidarizar com nossos irmãos gaúchos.


Schettini: O Sr. tem vários mandatos de deputado federal. O que o trouxe para SC?

Uczai: O povo tem sido muito generoso comigo, à medida que vai legitimando nosso trabalho, legitimando nossos mandatos. Não só por ter sido prefeito de Chapecó, 8 anos deputado estadual, mas nos quatro mandatos como deputado federal, fui o 6º mais votado em 2010, o 4º mais votado 2014, o 3º mais votado em 2018, e o 2º mais votado em 2022, com 173.531 mil votos, de Santa Catarina, de todos os municípios catarinense. E algumas bandeiras de luta, além do municipalismo, que fui responsável por novas leis, além da agricultura, da luta ambiental. E eu acredito que a educação virou uma causa na minha vida e também na militância política, com o art. 170, agora como relator do “Pé de Meia”, a expansão de vários institutos federais, que tive a honra de coordenar as mobilizações, inclusive, mais três institutos federais onde também coordenei as mobilizações regionais. A construção da própria UFFS, que junto com outras lideranças, a gente participou dessa vitória.


Schettini: Escolas militares, privatização do ensino público, ideologia de gênero. Para onde o Brasil está indo?

Uczai: Quando nós fortalecemos o Fundeb, escolas públicas, institutos federais e universidades públicas, governos neoliberais começam a privatizar a escola pública, privatizar os cursos para entidades dos setores privados. Montar gestões cívico-militares ou gestões privadas, como estamos vendo ocorrer no Paraná. Essa tendência privatizante, mercantil, é o desmonte do papel histórico da educação pública, que é efetivamente pensar a educação de qualidade, qualidade social, diversidade e pluralidade. Infelizmente esse projeto avança em muitos estados.


Schettini: Como o Sr. avalia o governo de Jorginho Mello?

Uczai: O governo Jorginho Mello tem que fazer política. Tem que se preocupar pouco com ideologia, com embate político. Vários ministros visitam SC, inclusive pela 4º vez o ministro dos Transportes vem para o Estado, anunciando bilhões, e buscando parceria com SC, inclusive em processos de concessão. É lamentável, acredito que o povo de SC não concorda com essa postura. Que, depois que o processo democrático aconteceu, elegendo seus representantes, SC elegeu o Jorginho, e o país o Presidente Lula, que compôs um governo com Ministérios extremamente operantes, inclusive tendo SC como prioridade, nas políticas públicas do país. Portanto é um equívoco político e o povo não legitima esse tipo de postura. Eu lembro quando era prefeito de Chapecó, o governador Esperidião Amin era oposição e eu o recebia até no aeroporto. E depois, fizemos a parceria para como a escola Tancredo Neves, que concedi o terreno e ele o asfalto e a calçada próximo da escola. Fizemos parceria no aeroporto, para modernizar a pista. Nós construímos uma relação institucional e democrática. Lamentavelmente, o governo estadual quando se coloca de costas a Brasília, coloca Santa Catarina de costas para o desenvolvimento.


Schettini: Aquela tragédia no RS traz qual recado para o cidadão brasileiro?

Uczai: É uma tragédia anunciada. Os cientistas, quando a gente realizava o Sustentar 1 e 2, em Florianópolis, o Sustentar 3, em Chapecó, para energia renovável e alimento saudável. O Sustentar 4, que realizamos em Portugal, quando lá tinha a maior central fotovoltaica do mundo, com 46 MWh, isso 15 anos atrás, a gente tinha todas as leituras científicas, que era questão de tempo o aumento da temperatura. E quando aumenta a temperatura, aumentam os fenômenos, com mais intensidade, com mais volume (de seca ou de chuva). E esses fenômenos estão acontecendo no mundo inteiro. Ano passado aumentou a temperatura, a média do planeta era 1,49, esse ano até em abril já chegou a 1,56, que era previsto para 2050. Ou seja, os cientistas estavam mais otimistas do que a realidade está demonstrando. Primeiro, acredito que vem a solidariedade aos nossos irmãos, segundo a reconstrução e nenhum governo do país está socorrendo tanto um Estado, como o nosso governo. Terceiro, a lição que nós temos, é cuidar do meio ambiente. Esse é o único planeta habitável que nós temos, portanto, nós temos que cuidar da transição energética, transição ecológica, cuidar do meio ambiente. Quando querem privatizar as praias no país, isso é um escândalo, um absurdo o que querem fazer nesse país, em plena tragédia do Rio Grande do Sul. Por isso que propus, inclusive, um projeto que quer colocar R$ 60 bilhões na indústria solar do nosso país. Vai fomentar a indústria, o emprego, a engenharia. Uma tecnologia nacional. Esse dinheiro está disponível, só vamos transformar isso em tarifa social de energia. Tem perspectiva como sistemas florestais biodiversos, que você segura a água no solo, quando você tem biodiversidade, quando você tem monocultura, e que você não cuida do solo e deixa ele sem vegetação, vai permitindo mais erosão. A gente sabe as causas, a gente precisa descarbonizar a indústria, precisa cuidar do solo, com a agricultura degenerativa, e precisa fazer a transição energética, de energia fóssil, para energia limpa e renovável. Não tem segredo.

Schettini: Quais os desafios do seu partido para as eleições municipais?

Uczai: As eleições municipais são uma grande oportunidade para apresentarmos propostas de futuro para as cidades. E nos dois espaços institucionais, na Administração Municipal e Câmara de Vereadores. Por isso não tenho dúvida que os temas municipais serão os temas prioritários, mas ao mesmo tempo vai se discutir proposta e projeto de sociedade e, evidentemente, que vai se polarizar, em muitos lugares, entre a extrema direita e o nosso projeto democrático e popular, que estamos procurando construir no nosso país, se relacionando diretamente com uma nova perspectiva do governo federal, com os municípios brasileiros. Quando escuta um prefeito dizer: “Seu Pedro, eu votei em um governo de oposição a vocês e eu era prefeito, fui reeleito, e em quatro anos eu não recebi nada. Eu estou recebendo aqui mais do governo que eu não elegi, do que do governo que anterior”. E ele elogiava a postura republicana do governo federal com os municípios catarinenses. Então aí vai ser um diferencial, no debate local, e por isso não tenho dúvida que nós vamos dobrar o número de vereadores eleitos no Estado. Temos condições de triplicar o número de votos para prefeitos em SC.


Schettini: Como o Sr. avalia o prefeito João Rodrigues?

Uczai: O prefeito atual de Chapecó, aproveitou a conjuntura favorável, recursos públicos e financiamentos. Tem experiência adquirida como gestor, inclusive as oportunidades econômicas, de uma cidade que exporta, com uma receita crescente. Não dá para desconhecer realizações feitas, mas Chapecó pode mais. Pode mais na inovação e desenvolvimento de uma cidade sustentável, ambientalmente, socialmente, culturalmente, construir uma cultura democrática não autoritária, que é o perfil do atual prefeito, construir uma cultura participativa onde o povo possa ter vez e ter voz para decidir o que é prioridade para o seu bairro, para sua comunidade, para o seu município e não centralizada decisões. E acho que dá pra pensar a cidade numa perspectiva regional aberta, de um futuro com outras possibilidades econômicas, tecnológicas, além de fomentar a educação e cada vez mais a saúde, não só de baixa complexidade, mas de grande complexidade. Tem que ser um centro de ensino, de ciência, de tecnologia e de inovação para pensar outras possibilidades profissionais para o futuro das nossas cidades.

Schettini: O deputado Padre Pedro é o candidato do PT em Chapecó. Por que as esquerdas não se unem?

Uczai: Na eleição de 2020, eu defendi uma frente de oposição, juntamente com o próprio MDB, porque tinha uma leitura na pré-campanha que as candidaturas de oposição, nós tínhamos 40% de intenções de voto e eu defendia que 40% unidos e com três candidaturas da direita tinha potencial de vitória eleitoral. Infelizmente, as forças, outras forças políticas e particularmente aqui o MDB não teve essa compreensão política, não teve essa compreensão política, saímos divididos e terminou a eleição praticamente com os mesmos, e os votos com as intenções de voto da pré-campanha. Sofremos uma derrota e hoje o desafio aumenta para enfrentar o atual projeto, mas novamente eu continuo defendendo um projeto de oposição para a Chapecó, que junta os que querem um projeto diferente, uma administração diferente, respeitosa com o povo, respeitosa com os trabalhadores e trabalhadoras, respeitosas com a cultura que nós temos que construir, democrática, plural, com um amplo movimento cultural que essa cidade deve mostrar sua riqueza. E em Chapecó, nós temos história não só pelas administrações que tivemos extremamente vitoriosas e reconhecidas, eu deixei de ser prefeito da cidade de Chapecó e fui o deputado estadual mais votado na eleição seguinte, e tenho tido a legitimidade como nossas lideranças como a deputada Luciana, o Padre Pedro, tendo o apoio do povo de Chapecó.

O próprio presidente Lula teve muito apoio na última eleição porque teve relação com o governo federal. Um Hospital Materno Infantil recebeu R$ 5,5 milhões do presidente Lula em 2003. A recuperação do Frigorífico Chapecó, que tinha 5 mil trabalhadores, e conseguimos o apoio do governo federal para mediar uma solução de arrendamento, e hoje já tem a aquisição pelo grupo, pela Cooperativa Aurora. Tivemos investimento mais de R$ 80 milhões da presidenta Dilma no acesso à BR-282, uma obra fundamental, como do Minha Casa Minha Vida, onde milhares de famílias chapecoenses tiveram oportunidade, mas também no acúmulo da nossa história política no Chapecó, temos a Udesc, que foi no nosso governo que conquistamos, têm instituto federal que foi o nosso governo que conquistamos, no sentido da posição do governo federal de implantar um Instituto Federal, em Chapecó, e temos a segunda universidade pública em Santa Catarina, não é Joinville, nem Blumenau, é Chapecó. Graças à mobilização da comunidade regional e de toda a mesa, da região fronteira do Mercosul, e graças ao governo, na época do presidente Lula, que decretou em 2009 a criação desta universidade com Medicina e com tantos outros cursos importantes para Chapecó e região. Então nós temos um acúmulo, nós temos uma síntese histórica que poderemos colocar no diálogo e no debate com os chapecoenses. Em segundo lugar, grande parte do que acontece em Chapecó depende da política econômica. E no governo do presidente Lula houve muito crescimento econômico do agronegócio, da agroindústria. E eu lembro de 2003, a agroindústria estava em crise, tanto é que faliu a Chapecó Alimentos e os grandes frigoríficos tinham dificuldade de comprar, por isso que arrendaram, porque estava em crise o setor agroindustrial, de Santa Catarina e do Brasil, e com o governo presidente Lula se recuperou todo esse setor. Com isso, recuperou Chapecó, a região, o nosso grande Oeste de Santa Catarina, como agora de novo, quando o governo federal coloca R$ 160 milhões da Finep para a Cooperativa Aurora, aqui em Chapecó, neste último ano, como abriu mais 50 mercados mundiais para o agronegócio, para agroindústria exportar. Então vai ser um bom debate político, sobre o que cabe a uma prefeitura e o que cabe ao próprio governo federal. Nós temos muitos argumentos para buscar o apoio dos chapecoenses.


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