Close Menu

Busque por Palavra Chave

AQUI TEM GOVERNO

Fundação Logosófica | A providência e a sorte

Por: Fundação Logosófica
28/03/2022 14:49 - Atualizado em 28/03/2022 14:53

É muito comum atribuir à sorte um caráter providencial. Os que são eventualmente favorecidos pelo acaso parecem experimentar a vaidade de se sentirem seres privilegiados. Não obstante, caso se busque a razão de tal privilégio, ver-se-á que ela não existe.

A sorte é como a bala perdida: após sair da arma, tanto pode atingir um alvo como outro qualquer, por não ter nenhuma direção prefixada. Escapa, pois, à explicação da lei, já que não está regida por ela. Seria como se a sorte, que de vez em quando favorece indistintamente a um ou a outro, representasse aquelas sobras de bem que a Providência deixa cair, sem levar em conta em mãos de quem.

O que raramente acontece é o favorecido guardar alguma gratidão por essa dádiva, usando-a para dignificar sua vida. Isso é parecido ao que poderia suceder a uma vara de porcos aos quais alguém jogasse uma bela cenoura: esta seria comida por aquele cujo focinho estivesse mais próximo no momento, sem que isso modificasse em nada sua vida.

O fato de João ou Pedro ganharem milhares de pesos* num jogo de azar não tem explicação da lei, mas o uso que eles farão do que ganharam, isto sim, não escapa à lei. Apesar disso, que ensinamento se pode extrair de uma questão como esta, que não tem causa alguma em que se apoiar?

Vejamos o seguinte: a Providência é uma força superior, que atua no mundo com plena independência da vontade dos seres; vale dizer que ela não foi conquistada pelo homem, como o foram outras forças que ele hoje maneja e com as quais se beneficia.

Como força superior, está fora do alcance da cobiça humana, mas é possível atraí-la e, até mesmo, chegar a ser um agente dela. Como? Eis a indagação que brota ansiosamente do segredo. Ninguém pensará, é claro, que esse segredo consiste em alguma palavra misteriosa que, simplesmente por ser pronunciada, produzirá o milagre desejado; nem pensará que, de braços cruzados, chegará a ser o eleito que o acaso converterá da noite para o dia num potentado.

Tal coisa não existe nem deve ser esperada por aquele que, de verdade, queira atrair para si a Providência. É muito justo que quem trabalhe receba, como recompensa, um salário. Pois bem; quanto melhor for a qualidade de seu trabalho, de seus esforços e de seus afãs de bem, tanto maior será a recompensa.

A este a Providência ajuda, e, por ele ter o que tem, mais ainda lhe é lícito ter. Porém, aquele que sem juízo nem trabalho algum é favorecido pela sorte, terá de lidar com o bem recebido usando seus próprios meios, e já sabemos o que lhe sucederá em pouco tempo; enquanto isso, o outro, com justo mérito, continuará progredindo. No primeiro, o uso da razão resguarda sua propriedade; no segundo, a embriaguez instintiva provoca o esbanjamento.

Os conhecimentos, ao serem usados por seu possuidor, são agentes da Providência. O médico que cura o enfermo, o que salva com seu conselho um extraviado, o que corrige o rumo do perdido, o que, enfim, evita um mal a seu semelhante, auxiliando-o oportunamente - porventura não atuou com eles providencialmente?

Quanto mais conhecimentos o ser possua, mais amplo é o poder que a Providência lhe outorga para realizar atos de caráter providencial. O acaso é vencido quando se eliminam as aspirações ridículas. Deve-se esperar tudo da própria força e capacidade; numa palavra, cada um deve converter-se em sua própria providência.


Rech Mobile
Publicações Legais Mobile

Fundado em 06 de Maio de 2010

EDITOR-CHEFE
Marcos Schettini

Redação Chapecó

Rua São João, 72-D, Centro

Redação Xaxim

AV. Plínio Arlindo de Nês, 1105, Sala, 202, Centro