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Pesquisadora da UFSC é premiada por estudos que inspiraram marco nacional em eficiência energética

Por: LÊ NOTÍCIAS
01/12/2025 11:07
Divulgação/Lê A engenheira civil Ana Paula Melo (UFSC), com mais de 20 anos de pesquisa na área, celebrou a publicação, que consolida seu trabalho no Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE) A engenheira civil Ana Paula Melo (UFSC), com mais de 20 anos de pesquisa na área, celebrou a publicação, que consolida seu trabalho no Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE)

No dia 30 de setembro deste ano, pesquisadores brasileiros dedicados a aprofundar conhecimentos em eficiência energética em edificações comemoraram um marco da engenharia civil no enfrentamento às mudanças climáticas no País. Nessa data, o Comitê Gestor de Índices e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), publicou a Resolução nº4/2025. Trata-se de regulamentação que estabelece, a partir de 2027, a obrigatoriedade de índices mínimos de eficiência energética para novas edificações no Brasil, reduzindo impactos ambientais e gerando benefícios para o setor de construção civil.

A Resolução nº4/2025 não foi o único presente que Ana Paula Melo recebeu este ano. Menos de um mês depois de comemorar o marco da eficiência energética em edificações no Brasil, a professora foi surpreendida com sua premiação na categoria Mérito Científico da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista. "Às vezes parece que a ficha não caiu. Quando eu paro para reavaliar a minha trajetória, fico muito contente por estar sendo reconhecida pelo meu trabalho. O prêmio vem para me dizer que estava no caminho certo, que valeu a pena todo o esforço e que vale continuar pesquisando sobre esse tema tão importante", afirma Ana Paula.

O impacto da Resolução nº4/2025 teve um efeito ainda maior na trajetória acadêmica da doutora Ana Paula, docente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Há mais de 20 anos, ela se dedica a estudos em simulação computacional para reduzir o consumo de energia das edificações no Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE/UFSC).

"A publicação desta resolução é um marco significativo para mim, por mostrar que todo o esforço e o trabalho desenvolvido desde o passado valeu a pena. Esta publicação resume todos os trabalhos que estão no meu currículo há muito tempo. Todas as esferas da edificação, de clima e de comportamento do usuário estão respondidas aqui", destaca.

O currículo robusto em projetos de pesquisa relacionados à mitigação dos impactos das mudanças climáticas em edificações, com passagens por instituições como a Technische Universiteit Eindhoven, na Holanda, durante o doutorado sanduíche entre 2010 e 2011, e a Aachen University, na Alemanha, durante pós-doutorado em 2024, já justificaria sua escolha. Porém, o fator decisivo para a premiação foi a capacidade da pesquisadora em promover articulações sob a ótica institucional e internacionalmente, com foco em soluções inovadoras e resilientes.

Atualmente, Ana Paula preside, no Brasil, a International Building Performance Simulation Association (IBPSA). Entre 2020 e 2022, a pesquisadora exerceu o papel de professora orientadora do Student Branch da ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers), em Florianópolis. A ASHRAE é uma sociedade internacional que reúne profissionais dedicados ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no setor de refrigeração em sistemas prediais. Em 2021, Melo foi premiada como melhor orientadora do Student Branch do Sul do Brasil e da região XII da ASHRAE.

Apaixonada pelo trabalho em sala de aula e nos laboratórios de pesquisa, ela não pensou em ser professora antes de entrar na faculdade. Excelente em matemática nos ensinos fundamental e médio, ela desejava seguir os passos do pai, que fez engenharia mecânica e também foi docente na UFSC.

"Quando falei que queria fazer engenharia mecânica, meu pai foi taxativo: `Faça qualquer outra engenharia`. Então escolhi Civil e, no meio da faculdade, fui selecionada pelo professor Roberto Lamberts, para uma bolsa de iniciação científica do CNPq no LabEEE, onde os projetos sobre eficiência energética, desempenho térmico e mudanças climáticas chamaram muito minha atenção", diz Ana Paula.

Completamente encantada pela docência e pela pesquisa, a professora não se vê trabalhando fora do cenário acadêmico. Mesmo nos momentos mais desafiadores, que incluem o mestrado, o doutorado, o nascimento do filho, Pedro, e o intervalo até conseguir ser aprovada para atuar como docente na UFSC, em 2019, nunca pensou em abandonar a academia e trabalhar na iniciativa privada.

"Sempre quis estar na pesquisa. Gosto da conquista de ter um tópico novo para investigar e apresentar para a academia e para a sociedade. No entanto, são muitos os desafios quando se conclui o doutorado e ainda não se tem um emprego. Ao fim do doutorado, é preciso provar o conhecimento adquirido ao longo da academia na realização de um concurso público", ressalta.

Resiliente, ela nunca negligenciou sua vocação para a pesquisa e docência, mesmo quando colegas sugeriram a busca por oportunidades na iniciativa privada. Nesses momentos, a professora lembra como foram fundamentais a compreensão e o apoio dos pais e do marido.

Resiliência também é a mensagem que costuma passar em sala de aula. Ana Paula encoraja todo estudante com vocação para a pesquisa a iniciar um mestrado ou doutorado. "Essa formação abre muitos caminhos para os jovens pesquisadores. Ao fim da pesquisa, o novo mestre/doutor, além de aprofundar o conhecimento, vai conseguir impulsionar a futura carreira, abrindo portas para a atuação na academia ou em cargos de alta gestão", afirma.

Sobre planos para o futuro, a pesquisadora, que ama estar ao lado dos alunos, nem pensa em aposentadoria. "Mesmo quando eu for convidada a me aposentar pelo teto da idade, vou tentar organizar uma maneira de estar ao lado dos alunos e da academia, porque quero continuar pesquisando até o fim da vida", garante Ana Paula.


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