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Jovem xanxerense relata vivências e bastidores na COP30

Por: LÊ NOTÍCIAS
15/12/2025 14:16 - Atualizado em 15/12/2025 14:16
Arquivo Pessoal Da Amazônia ao debate global, jovem ativista catarinense destaca impactos e propostas da COP30 Da Amazônia ao debate global, jovem ativista catarinense destaca impactos e propostas da COP30

Por Vitória Schettini

Belém recebeu, em novembro, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), e, entre os milhares de participantes, estava a jovem Joana Campos Rockenback, de 21 anos, estudante de Odontologia e ativista socioambiental de Xanxerê, no oeste de Santa Catarina.

Integrante da Juventude Evangélica da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Joana foi uma das credenciadas para representar o grupo na conferência, após meses de preparação em uma trilha de formação on-line chamada “COP da JE”.

VIAGEM MARCADA POR DESAFIOS

A viagem até Belém não foi simples. Um ciclone na região cancelou o voo inicial de Joana, que precisou enfrentar três conexões e 27 horas de deslocamento até chegar ao Pará. “Cada hora valeu a pena, pois pude vivenciar de perto os impactos das mudanças climáticas sobre povos originários, agricultores e comunidades marginalizadas”, relembra ela.

EXPERIÊNCIAS TRANSFORMADORAS

Entre os momentos mais marcantes, Joana cita a Vigília pela Terra, organizada pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), que reuniu centenas de pessoas de diferentes crenças e espiritualidades na Praça Batista Campos. “Foi lindo ver tanta diversidade unida, cantando, dançando e lutando lado a lado contra a crise climática”, relata.

Outro painel que a impactou ocorreu na Zona Verde da COP, sobre o ecocídio na Palestina. “Embora o termo seja novo, ele revelou os efeitos ambientais devastadores da guerra em Gaza, além das perdas humanas e sociais. Já os relatos foram devastadores”, afirma.

BRASIL EM DESTAQUE

Para a xanxerense, o Brasil assumiu papel de protagonismo ao sediar a COP30, não apenas por reunir líderes mundiais, mas também por abrir espaço para a sociedade civil. “A inclusão da população garantiu maior pressão sobre os governantes e possibilitou protestos, algo que não era permitido em COPs anteriores realizadas em países mais conservadores”, observa.

A vivência na Amazônia também deixou marcas. “As frutas são mais doces, a água mais tranquila, a brisa mais fresca e o povo muito acolhedor”, descreve, emocionada.

SOLUÇÕES E ESPERANÇAS

Entre as propostas debatidas, Joana destaca a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que prevê remuneração contínua por hectare preservado, financiada por investimentos internacionais. “Não é um valor alto, mas já é um começo, e abre espaço para futuras negociações”, avalia.

Apesar do otimismo ao ver tantas pessoas engajadas, ela reconhece que a preocupação predominou nas discussões. “Muitos criticaram metas não cumpridas e a invisibilidade de certas causas. Às vezes, o pessimismo de que nada mais pode ser feito também aparecia”, relata.

Durante os encontros diários de jovens luteranos, ela ainda recebeu uma pequena cruz de madeira feita de oliveira, presente de jovens palestinos. “Foi um gesto simbólico de agradecimento, mostrando que, mesmo de longe, não esquecemos de lutar por eles”, conta.

O DESAFIO PÓS-COP

A jovem também chama atenção para as campanhas “anti-COP”, que questionaram a relevância do evento. “Para mim, o maior desafio agora é educar a população sobre a urgência da crise climática. Mudança climática não é algo do futuro, está acontecendo agora, seja na conta de luz mais cara, nas estações indefinidas ou nas tempestades constantes. Só quando isso ficar claro para a maioria, conseguiremos avançar”, conclui.

A COP30

A COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, se encerrou com a aprovação do chamado Pacote de Belém, firmado por 195 países, que trouxe avanços em temas como transição justa, financiamento da adaptação climática e criação de mecanismos para o combate à mudança climática e a preservação do meio ambiente.

A conferência marcou uma virada de discurso para ação, sendo considerada a “COP da implementação”, ao reforçar compromissos concretos de governos e setor privado. Esses encontros anuais são organizados no âmbito da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, criada em 1992 durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro e em vigor desde 1994.

A UNFCCC surgiu como tratado internacional para enfrentar o aquecimento global, estabelecendo um espaço multilateral de negociação entre quase 200 países, com o objetivo central de limitar o aumento da temperatura média global e coordenar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.



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