O consumo de alimentos ultraprocessados faz parte da rotina de grande parte das crianças brasileiras e já é considerado um ponto de atenção na saúde pública. Estudos recentes do UNICEF indicam que esses produtos estão amplamente presentes no dia a dia infantil e, muitas vezes, são percebidos pelas famílias como opções práticas e até "adequadas" para o consumo diário.
Dados da organização mostram que o consumo desses alimentos ocorre especialmente nos lanches e está associado a uma percepção equivocada de saúde, já que muitos responsáveis acreditam estar oferecendo produtos equilibrados, mesmo quando há alto teor de açúcar, sódio e aditivos.
"Existe uma naturalização dos industrializados na alimentação infantil. O problema é quando isso acontece sem leitura de rótulo e sem consciência do impacto acumulado", alerta Caroline von Borowski, nutricionista materno infantil.
O CONSUMO INFANTIL DE ULTRAPROCESSADOS É ALTO
Pesquisas recentes apontam que alimentos como biscoitos, bebidas adoçadas, iogurtes saborizados e snacks industrializados estão entre os mais consumidos por crianças pequenas no Brasil.
De acordo, ainda, com os estudos do UNICEF, parte significativa das famílias não costuma consultar os rótulos no momento da compra, o que aumenta o risco de escolhas baseadas apenas em marketing ou praticidade.
LISTA DE INGREDIENTES É O PONTO CENTRAL DA ESCOLHA
Na prática, o primeiro critério de avaliação deve ser a lista de ingredientes.
"Quanto mais curta e mais reconhecível for essa lista, melhor tende a ser a qualidade do produto para o consumo infantil", explica a especialista.
AÇÚCAR ESCONDIDO E SÓDIO ELEVADO SÃO OS PRINCIPAIS RISCOS
Um dos principais problemas dos industrializados infantis é a presença de açúcar em diferentes formas, muitas vezes camuflado em nomes técnicos.
Xarope de glicose, maltodextrina e dextrose são alguns exemplos comuns. O sódio também aparece em níveis elevados mesmo em produtos que não têm sabor salgado, como pães, biscoitos e alimentos voltados ao público infantil.
MARKETING INFLUENCIA A PERCEPÇÃO DOS PAIS
Embalagens coloridas, personagens e frases como "rico em vitaminas" ou "feito para crianças" podem gerar uma falsa sensação de saúde. "O apelo visual influencia muito a decisão de compra. Por isso, o rótulo precisa ser mais importante do que a embalagem", reforça a nutricionista.
O QUE OBSERVAR ANTES DE OFERECER ÀS CRIANÇAS
Na prática, alguns critérios ajudam a fazer escolhas mais conscientes:
CONSCIÊNCIA É MAIS IMPORTANTE QUE EXCLUSÃO TOTAL
Especialistas reforçam que o objetivo não é eliminar completamente os industrializados, mas reduzir sua frequência e melhorar a qualidade das escolhas dentro dessa categoria. "Quando os pais aprendem a ler rótulos, eles deixam de ser guiados apenas pelo marketing e passam a ter mais autonomia na alimentação das crianças", finaliza a nutricionista.
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