O Espaço Cruz e Sousa, no Palácio Barriga Verde, sedia a exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi”, da fotógrafa Annete Owatari, neta de imigrantes japoneses. Lançada oficialmente na Assembleia Legislativa em celebração aos 118 anos da imigração japonesa no Brasil, a mostra segue em exibição até o dia 19 deste mês.
Além dos registros fotográficos, o ambiente conta com peças em cerâmica, leques e outros artesanatos típicos da província de Aomori, considerada "irmã" de Santa Catarina, uma conexão histórica que remonta à década de 1960, quando imigrantes trouxeram de lá as primeiras mudas de macieiras Fuji para o estado catarinense.
Durante a abertura, Yoshihico Kaneoya, representante da Nipocultura, destacou que as obras traduzem o espírito nipônico de "mínimo de materialidade e máximo de expressividade". O evento foi viabilizado pelo deputado Pepê Collaço (PP), que enalteceu a policultura do estado, e contou com o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), que ressaltou a integração social e o perfil guerreiro e contributivo da comunidade de origem nipônica com os catarinenses.
A seleção de obras fotográficas de Annete propõe um olhar poético, sensível e legitimamente brasileiro sobre Gion, em Kyoto, um dos distritos mais famosos e tradicionais do Japão, onde as gueixas atuam como artistas e guardiãs da cultura tradicional por meio da dança, música e da cerimônia do chá.
Reunindo registros capturados entre 2009 e 2011 durante suas viagens ao país, a fotógrafa — que há quatro anos se dedica a esse trabalho autoral — buscou se distanciar de visões exóticas e estereótipos. Para flagrar a rotina dessas mulheres e de suas aprendizes, as geikos, a autora chegou a dar plantões em frente a suas casas, registrando movimentos sutis até mesmo no interior de táxis a caminho de eventos sociais.
O resultado é uma observação íntima e contemplativa que revela sutilezas silenciosas, como texturas de tecidos, gestos delicados e pequenos detalhes que compõem uma atmosfera singular. Antes de chegar à Alesc, a aclamada mostra já havia passado pelo Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, pelo Museu da Escola Catarinense, em Florianópolis, e pelo Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville.

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