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Brasil reage a tarifaço dos EUA com Lei de Reciprocidade

Shutterstock Os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros a partir de 22 de julho, citando supostas práticas comerciais desleais e falhas ambientais Os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros a partir de 22 de julho, citando supostas práticas comerciais desleais e falhas ambientais

Por Vitória Schettini

Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 22 de julho de 2026. A decisão, que marca o desfecho de uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, baseia-se em alegações norte-americanas de práticas comerciais consideradas "não razoáveis".

Segundo Washington, o Brasil impõe barreiras indevidas ao etanol, critérios insatisfatórios de proteção ambiental, além de desafios relacionados à propriedade intelectual e à regulação do setor de comércio digital e meios de pagamento, como o Pix. O governo brasileiro, contudo, refutou veementemente todas as acusações, classificando a medida como protecionismo injustificado.

A lista de produtos atingidos pelo novo tarifaço inclui etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel, açúcar orgânico e produtos químicos. Itens estratégicos como carne bovina, café, petróleo bruto, aeronaves civis, celulose e medicamentos permaneceram isentos, enquanto o aço e o alumínio seguem sob a tarifa de 50% já vigente.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o governo brasileiro buscou exaustivamente uma solução negociada desde o ano passado, sem sucesso, uma vez que as exigências dos EUA visariam a uma abertura irrestrita de setores da economia brasileira sem contrapartidas. Em defesa de sua soberania e políticas públicas, o Brasil rebateu os pontos levantados por Washington, ressaltando o sucesso na queda do desmatamento desde 2023, a modernização do sistema de propriedade intelectual e a natureza não discriminatória de sua regulação digital e financeira, lembrando ainda que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o país.

A resposta de Brasília à escalada das tensões foi imediata. O governo brasileiro anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade Econômica — aprovada pelo Congresso em 2025 — e levará o impasse ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Executivo também reiterou que pretende seguir com o Plano Brasil Soberano para proteger os setores afetados e diversificar parcerias comerciais internacionais. No mercado financeiro, a notícia repercutiu negativamente, com o Ibovespa registrando queda de 1,24% após o anúncio.

Este novo capítulo da crise diplomática ocorre em um momento de desgaste recorrente, iniciado em 2025, quando Washington também impôs restrições sob alegações de descumprimento de metas ambientais. A persistência dessas divergências tem fragilizado o diálogo estratégico entre as duas nações, dificultando a cooperação em áreas vitais como transição energética e tecnologia.

A atmosfera de desconfiança mútua, consolidada nos últimos dois anos, coloca agora um desafio complexo para a manutenção do fluxo comercial bilateral, exigindo monitoramento constante sobre os impactos que esse protecionismo terá nas cadeias produtivas e na estabilidade das relações entre Brasília e Washington.


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