Por Vitória Schettini
Nesta semana, os Estados Unidos e a Arábia Saudita firmaram um acordo de cooperação nuclear com validade de 30 anos, considerado um dos mais relevantes já celebrados entre os dois países no setor. O entendimento prevê ampla participação de empresas norte-americanas no desenvolvimento do programa nuclear civil saudita e inclui a possibilidade de estudos para o enriquecimento de urânio em território do reino, tema que tem despertado preocupação entre especialistas em não proliferação nuclear.
Avaliado em bilhões de dólares, o acordo prevê que empresas dos Estados Unidos participem da construção de reatores e de outras infraestruturas nucleares na Arábia Saudita. Entre as companhias cotadas para atuar no projeto está a Westinghouse Electric, desenvolvedora do reator AP1000.
Para Washington, o pacto também apresenta importância estratégica ao fortalecer a indústria nuclear norte-americana e ampliar sua presença em um setor no qual Rússia e China vêm buscando expandir influência na região.
ENRIQUECIMENTO DE URÂNIO GERA DEBATE
O ponto mais sensível do acordo é a previsão de estudos sobre a viabilidade do enriquecimento de urânio em território saudita. Embora o entendimento esteja voltado ao desenvolvimento de um programa nuclear civil, especialistas alertam que a capacidade de enriquecimento representa uma tecnologia de uso dual, podendo servir tanto para fins energéticos quanto, em determinados casos,, para aplicações militares.
Outro elemento que tem sido alvo de debate é a ausência, segundo analistas, da exigência de adesão ao Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), instrumento que amplia os mecanismos internacionais de inspeção e verificação das atividades nucleares.
REAÇÕES INTERNACIONAIS
O acordo provocou reações entre parlamentares norte-americanos e especialistas em segurança internacional, que defendem salvaguardas mais rígidas para reduzir riscos de proliferação nuclear.
Também há preocupação em Israel e entre analistas da região, especialmente diante de declarações anteriores do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, que afirmou que o país poderá buscar desenvolver armas nucleares caso o Irã obtenha esse tipo de armamento.
A assinatura ocorre em um momento de elevada tensão no Oriente Médio, marcado pelas disputas envolvendo o programa nuclear iraniano e pelos conflitos que afetam a região. Para alguns analistas, o fortalecimento da capacidade nuclear civil saudita poderá influenciar o equilíbrio estratégico regional e ampliar o debate sobre a não proliferação nos próximos anos.
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