Por Vitória Schettini
A Interpol desmantelou, em julho de 2026, uma central criminosa instalada no Reino de Essuatíni, na África, que operava uma réplica altamente realista de uma delegacia da Polícia Federal brasileira. O local contava com uniformes semelhantes aos utilizados pela corporação, distintivos, placas de identificação e uma estrutura interna projetada para reproduzir o ambiente de uma unidade policial brasileira. A encenação era utilizada para dar credibilidade a um sofisticado esquema de fraudes financeiras e extorsões, que vitimava pessoas por meio de golpes de engenharia social.
A operação resultou na prisão de 82 suspeitos, entre falsos agentes e integrantes da estrutura de apoio, além da apreensão de 240 dispositivos eletrônicos — incluindo celulares e computadores com dados relacionados às vítimas —, documentos falsificados e dinheiro em espécie.
ENGENHARIA SOCIAL E O MODUS OPERANDI DA QUADRILHA
O esquema tinha como base a fraude por falsa identidade e técnicas de engenharia social. A partir da réplica da delegacia instalada em Essuatíni, os criminosos realizavam videochamadas para as vítimas previamente selecionadas. Vestidos com uniformes que imitavam os da Polícia Federal brasileira e posicionados em salas que reproduziam gabinetes oficiais, os golpistas convenciam as vítimas de que elas haviam sido alvo de atividades criminosas e que seus recursos financeiros precisariam ser transferidos para uma suposta "conta segura" enquanto o caso era investigado.
Sob a falsa aparência de uma operação policial legítima, as vítimas eram induzidas a realizar transferências bancárias ou movimentações de recursos, acreditando que seus valores permaneceriam protegidos. Na prática, o dinheiro era desviado pela organização criminosa.
Além desse golpe de falsa identidade, a estrutura também era utilizada para apoiar outras atividades ilícitas, incluindo operações ligadas a jogos de azar on-line ilegais e esquemas de lavagem de dinheiro destinados a ocultar a origem dos valores obtidos por meio das fraudes.

CONEXÃO COM A OPERAÇÃO FIRST LIGHT 2026
A descoberta da falsa delegacia integrou o balanço oficial da Operação First Light 2026, uma ação internacional coordenada pela Interpol entre janeiro e abril de 2026, com a participação de autoridades policiais de 97 países e territórios. A operação concentrou esforços no combate a redes de cibercrime, fraudes baseadas em engenharia social — como golpes de investimento, fraudes românticas (romance scams), falsidade ideológica, golpes de suporte técnico e business email compromise (BEC) —, além de esquemas internacionais de lavagem de dinheiro.
Segundo a Interpol, a operação resultou em 5.811 prisões, no bloqueio de mais de 31 mil contas bancárias utilizadas por organizações criminosas e na interceptação de aproximadamente US$ 293 milhões em ativos ilícitos. As investigações também identificaram mais de 142 mil vítimas relacionadas às diferentes modalidades de fraude combatidas durante a operação.
O caso da réplica da delegacia brasileira evidencia o elevado grau de sofisticação alcançado por organizações criminosas transnacionais, que utilizam estruturas físicas, símbolos oficiais e recursos tecnológicos para conferir aparência de legitimidade aos golpes e aumentar o poder de convencimento sobre as vítimas.
A Interpol e as autoridades policiais reforçam que instituições públicas legítimas não solicitam transferências bancárias, depósitos em criptomoedas ou qualquer outro pagamento por telefone ou videochamada para resguardar valores ou solucionar supostas pendências decorrentes de investigações. Diante de contatos dessa natureza, a orientação é interromper imediatamente a comunicação e buscar confirmação diretamente junto aos canais oficiais da instituição mencionada.
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