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Curta Kaingang valoriza oralidade e cosmologia indígena em Chapecó

Camila Almeida e Louis Radavelli O documentário "As Histórias dos Anciãos da Aldeia Kondá" está disponível no YouTube da Margot Filmes O documentário "As Histórias dos Anciãos da Aldeia Kondá" está disponível no YouTube da Margot Filmes

Está disponível no Canal do Youtube da Margot Filmes, o documentário"As Histórias dos Anciãos da Aldeia Kondá" produzido pelos estudantes da Escola Indígena Sa Pe Ty Kó, da Aldeia Kondá, em Chapecó, durante a Oficina “Olhares Indígenas”. O resultado desse trabalho coletivo é uma obra audiovisual de dez minutos produzida inteiramente pelos adolescentes Kaingang durante a formação audiovisual. O filme está disponível para acesso público no YouTube através do link: ttps://www.youtube.com/watch?v=fSP0SSAOfeE.

O curta-metragem é uma imersão na cosmologia e na oralidade Kaingang. Conduzido pelo diálogo sensível entre gerações, o filme traz o relato dos anciãos João, Maria e Ari, moradores da Kondá, que compartilham com os jovens as bases da cultura e das crenças de seu povo. A produção aborda espiritualidade, vivências no território e narrativas passadas de geração para geração.

De acordo com a estudante indígena Yanna Roberta da Silva Trindade, de 14 anos, o filme é uma forma de valorizar a cultura indígena. “Nosso filme fala sobre a valorização da nossa cultura, mostra que nós ainda estamos aqui lutando, que estamos aqui de pé pela nossa cultura, pelos nossos direitos. Tivemos a participação dos nossos anciãos, que concordaram em fazer parte do filme falam que através das histórias as pessoas podem olhar para os povos kaingang e valorizar o nosso povo”.

FORMAÇÃO PERTENCIMENTO E SOBERANIA AUDIOVISUAL

O documentário encerra duas semanas de atividades do Projeto"Olhares Indígenas", uma oficina de formação e imersão teórica e prática em cinema documental com duração de 40 horas. A ação atendeu estudantes a partir de 12 anos. Proposto pela produtora Margot Filmes e viabilizado com recursos públicos do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura através da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o projeto ganha relevância por sua abordagem pedagógica e protagonismo indígena.

As ações foram ministradas por realizadores nativos com trajetória no audiovisual brasileiro, como a cineasta Kaingang Vanessa Fé Há e o cineasta/jornalista Laklãnõ-Xokleng Jucelino Senei Filho, contando ainda com o acompanhamento do psicólogo indígena Tschucambang Ndili.

“Mais do que manusear equipamentos, a proposta pedagógica focou no uso acessível de ferramentas como smartphones, mostras de cinema e compreensão das etapas de pré-produção, gravação e edição, capacitando a comunidade. Então os alunos puderem experienciar na prática todas as funções que integram o desenvolvimento de um filme”, conta Ilka Goldschmidt, uma das idealizadoras do projeto.

Para Yanna, que desenvolveu a função de roteirista na atividade, a experiência foi muito interessante. “Essa foi a função que eu mais gostei.Achei uma experiência interessante e criativa. Muito legal porque dentro dessa função a pessoa está responsável por criar a história, desenvolver os personagens, escrever diálogos e organizar tudo o que vai acontecer no filme.Eu achei uma função muito importante, e também muito interessante pois usamos a criatividade para transformar a ideia em roteiro”, conta.

Juce Senei Filho, jornalista e cineasta indígena, responsável por conduzir as atividades práticas do projeto, diz que a oficina trouxe uma experiência maravilhosa. “As crianças que participaram são muito interessadas, são crianças que querem essa oficina, então observo o quanto isso ajudou no desenvolvimento delas enquanto pessoas também, e eu vejo como elas precisavam contar as próprias histórias. Parece que a gente desbloqueou neles mais um aplicativo, mais uma forma de comunicação que talvez eles achassem que fosse muito longe, ou talvez eles achassem que não era pro uso deles. A nossa prioridade é mostrar que elas são capazes também”.

Acompanhe outras informações do Projeto Olhares Indígenas pelo perfil nas redes sociais: @oficinadoc.olhares .


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