Por Vitória Schettini
Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida de retaliação diplomática que amplia as tensões entre os dois países. A decisão foi motivada pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément — autorização formal necessária para a posse de um chefe de missão diplomática — ao norte-americano Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília (DF).
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, o Brasil retardou a análise do pedido de autorização para a nomeação de Perez, o que teria motivado a resposta diplomática. O episódio também foi marcado por um impasse protocolar, uma vez que o governo dos Estados Unidos anunciou publicamente a indicação do diplomata antes de consultar oficialmente o governo brasileiro, procedimento considerado incompatível com as práticas estabelecidas pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961), segundo a qual o nome do indicado costuma ser submetido previamente, de forma reservada, ao país anfitrião.
A revogação do visto ocorreu poucos dias após o governo brasileiro negar vistos a dois diplomatas norte-americanos, em meio a acusações de interferência no sistema eleitoral brasileiro, reforçando a percepção de uma escalada de medidas recíprocas entre os dois governos.
Apesar da decisão, Maria Luiza Ribeiro Viotti não foi expulsa do território norte-americano. Na prática, a embaixadora permanece autorizada a exercer suas funções, mas, caso deixe os Estados Unidos, precisará solicitar um novo visto para retornar ao país. O Itamaraty reagiu classificando a medida como uma justificativa "falsa" e parte de uma escalada hostil nas relações bilaterais.
A crise ocorre em um momento politicamente sensível, às vésperas das eleições brasileiras de outubro, e pode produzir reflexos sobre negociações comerciais, cooperação bilateral e a atuação conjunta dos dois países em temas internacionais. O impasse também aflorou discussões acerca do procedimento de concessão do agrément, mecanismo diplomático pelo qual um Estado manifesta formalmente sua concordância com a indicação do chefe de missão estrangeiro antes de sua nomeação oficial.
Indicado em junho de 2026, Daniel Perez é presidente da Câmara dos Representantes da Flórida e aliado político do presidente Donald Trump. Sua indicação foi recebida com controvérsia no Brasil, tanto pelo perfil político quanto pelas circunstâncias em que foi anunciada.
O Departamento de Estado não descartou a adoção de novas medidas caso o governo brasileiro mantenha a demora na concessão do agrément. Além disso, a continuidade da crise poderá afetar a imagem internacional do Brasil, dificultar negociações estratégicas e ampliar o desgaste diplomático entre os dois países. Segundo autoridades norte-americanas, o restabelecimento do visto da embaixadora brasileira estaria condicionado à aceitação da indicação de Daniel Perez para a embaixada em Brasília.
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