Por muitos anos, a ideia de que era necessário esperar a catarata "amadurecer" para realizar a cirurgia fez parte da orientação recebida por milhares de pacientes. O conceito, no entanto, ficou no passado. Com a evolução das técnicas cirúrgicas, dos equipamentos e das lentes intraoculares, a indicação do procedimento passou a considerar o impacto da doença na qualidade de vida, e não mais o estágio de evolução da catarata como fator principal.
Segundo o oftalmologista Dr. João Schneider, do Hospital Regina, a recomendação atual é não adiar a cirurgia quando a perda visual começa a interferir nas atividades do dia a dia. "Com as modernas técnicas de cirurgia de catarata, não é necessário mais esperar até haver uma baixa significativa da visão. Pacientes que apresentam alteração da qualidade de vida ou redução da visão pela catarata já têm indicação para realizar o procedimento, independentemente do estágio da doença", afirma.
A catarata é caracterizada pela opacificação do cristalino, lente natural responsável por focalizar as imagens na retina. O problema costuma surgir de forma gradual, principalmente com o envelhecimento, o que provoca visão embaçada, dificuldade para dirigir, ler, reconhecer rostos, enxergar à noite e realizar tarefas rotineiras. Muitas pessoas acabam se adaptando lentamente a essa perda visual e só procuram atendimento quando a limitação já é importante.
O especialista explica que essa espera dificilmente traz benefícios. Pelo contrário: quanto mais avançada estiver a catarata, maior tende a ser a complexidade técnica da cirurgia. Embora o procedimento continue a ser bastante seguro, operar precocemente costuma facilitar a remoção do cristalino comprometido e favorecer uma recuperação ainda mais tranquila.
A cirurgia de catarata é realizada com anestesia local ou tópica, na estrutura do Hospital Dia, com procedimento e alta em poucas horas. O procedimento consiste na retirada do cristalino opaco e sua substituição por uma lente intraocular, devolvendo transparência ao sistema óptico do olho. Graças às pequenas incisões e aos equipamentos modernos, a recuperação costuma ser rápida e permitir que pacientes retomem boa parte das atividades em poucos dias.
"A cirurgia evoluiu de incisões de aproximadamente 11 milímetros para cerca de 2,5 milímetros. Os equipamentos atuais utilizam menos energia, tornam o procedimento mais preciso e permitem uma recuperação muito mais rápida e confortável", destaca o médico do Hospital Regina.
BAIXA VISAO É FATOR DE RISCO PARA DOENÇAS
Um receio frequente por parte das famílias envolve pacientes idosos ou pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão ou doenças reumatológicas. No entanto, essas condições, quando devidamente acompanhadas e controladas, em geral não impedem a realização da cirurgia. Como a catarata é uma condição intimamente relacionada ao envelhecimento, a maior parte dos pacientes submetidos ao procedimento pertence justamente à faixa etária superior aos 60 anos.
O médico também chama atenção para outro aspecto importante: preservar a visão significa preservar autonomia, independência e qualidade de vida. Estudos apontam que a perda visual pode favorecer isolamento social, quedas, perda funcional e até estar associada ao maior risco de declínio cognitivo. "A baixa de visão causada pela catarata é um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Recuperar a visão também significa manter o paciente mais ativo e independente", ressalta.
POS-OPERATÓRIO AGORA E MAIS SIMPLES
No pós-operatório, os cuidados são relativamente simples. O tratamento é feito com colírios prescritos pelo oftalmologista e repouso relativo nos primeiros dias. Em cerca de uma semana, a maioria dos pacientes já consegue retomar praticamente todas as atividades habituais, respeitadas algumas orientações, como evitar coçar os olhos e não realizar esforço físico intenso no período inicial da recuperação.
Também é importante desmistificar algumas recomendações antigas que ainda geram insegurança. Mitos como não poder assistir televisão, ler, sair de casa ou abaixar a cabeça já não fazem parte da rotina da maioria dos pacientes submetidos às técnicas modernas. Com bom senso e o cumprimento das orientações médicas individualizadas, a recuperação costuma ser rápida e bastante confortável.
"O maior erro é postergar a cirurgia quando ela já está indicada. Na presença de baixa visual ou comprometimento da qualidade de vida provocado pela catarata, a recomendação é realizar o procedimento, sem esperar que a doença avance ainda mais", reforça o Dr. João Schneider, oftalmologista do Hospital Regina.
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