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Vieses e consensos | A diferença de acessibilidade e “acintabilidade” nos Brasis

Por: Ralf Zimmer Junior
10/11/2021 10:46
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Divulgação

O Brasil, como cediço, estruturou suas cidades ao derredor dos centros do Poder Público, com construções imponentes, que nos primórdios respondiam pelo Pelourinho, a Igreja e a Praça.

A Catedral Metropolitana, à época da religião que era oficial em tempos imperiais, filiais da Santa Sé, comandava a vida das pessoas se projetando das alturas ao lado dos prédios públicos em direção às pobres almas dos escravos e dos Senhores (estes não tão pobres assim, mas pagadores de pecados e do santo dízimo, as vezes do quinto – tributo que era enviado além-mar para a “terrinha”).

Os séculos se passaram, o País foi significativamente urbanizado, com largas avenidas, com prédios modernos e adentrou na República sem mais religião oficial, não sem antes extinguir (formalmente ao menos) a escravatura.

O simbolismo dos poderes estatais, contudo, mantiveram e mantém o simbolismo de outrora com seus prédios nababescos, imponentes, diante dos meros cidadãos, que embora sustentem essa babilônia toda dela pouco gozam.

Mas, aí sobreveio a era do “politicamente correto”, e que em boa hora, ao menos no que concerne às pessoas portadoras de necessidades especiais (físicas), deflagrou a erupção do dever de “acessibilidade”.

Sim, ninguém é insano ou cruel ao ponto de se opor às adaptações que se fizeram e se fazem necessárias nos edifícios públicos para poder viabilizar que o cidadão acometido de redução de mobilidade corporal possa comparecer e acessar esses ambientes com menos dificuldades que se via há décadas.

Contudo, não se pode confundir acessibilidade com “acintabilidade”, esta última “um misto de acesso com acinte”, que encontramos nas construções dantescas, que demandam caríssima manutenção, e que servem (além de sorver o dinheiro do contribuinte para o proprietário e/ou algum corrupto que faz a interface com o Estado/contratante) para dar maior comodidade ao público no discurso oficial, mas que em verdade representam o excesso, o esnobe, às custas do contribuinte, seja para o lucro fácil dos proprietários em compadrio com autoridades de plantão, seja para nos mostrar que há Brasis dentro do Brasil, e que em algumas ilhas existem bolhas desconexas com a realidade do restante do País a bem efetivo sabe-se lá de quem, mas que nada tem de acessível que não ao sentimento de acinte do contribuinte (“acintabilidade”).

A pergunta é: até quando aceitaremos isso calados!?!?


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