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Vieses e consensos | Linguagem neutra não se amolda à sintaxe língua portuguesa

Por: Ralf Zimmer Junior
14/01/2022 11:07 - Atualizado em 14/01/2022 11:13
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Divulgação

Ao se falar de linguagem neutra vem a reboque toda uma questão política friccionada pelos que a defendem, e atacada por àqueles que à criticam.

Contudo, o objetivo do presente artigo não é de discutir os bastidores e as razões políticas de dita linguagem, mas de traçar um paralelo diante das línguas que a deram existência e à língua portuguesa.

Numa ligeira pesquisa é possível observar que um termo neutro utilizado primeiramente por uma autoridade se deu na Suécia, em que se utilizou do pronome “Hen” para se referir a um “gênero neutro”, isso ainda nos anos 60, e dito pronome neutro já se encontra na gramática oficial dos suecos.

A questão gramatical, portanto, o foco do presente franciscano artigo, aponta-nos no sentido que línguas germânicas que trabalham com pronomes de gêneros masculino (der), feminino (die) e neutro (das) são propícias por suas estruturas históricas à linguagem que naturalmente lhes é peculiar e que possuem sim pronomes, declinações, na seara neutra.

A língua portuguesa, ao contrário das línguas germânicas, possui apenas dois gêneros, o masculino (o/os) e o feminino (a/as), portanto, o “transplante” da linguagem neutra germânica ao nosso idioma é incompatível com nossa estrutura gramatical como um todo.

Calha recordar que a gramática oficial é fruto de acordo internacional com países lusófonos, e regulamentada pelo Congresso Nacional, de modo que documentos oficiais deve observá-la, e não há nada de preconceituoso nisso, pelo contrário, é dever utilizar nas manifestações oficiais a gramática prevista em Lei.

De outro lado, proibir o “abrasileiramento” da linguagem neutra em grupos que almejam dela fazer uso informal não faz sentido também, pois, seria invadir a liberdade de expressão, que permite evidentemente gírias, “estrangeirismo”, enfim, uma miríade de palavras que bastam fazer algum sentido ao emissor e ao receptor em suas vidas privadas.

Em suma, documentos oficiais e na comunicação no âmbito do Poder Público nos parece inadaptável – ao menos até que futuramente eventualmente sobrevenha novo tratado dos países lusófonos – o uso da dita linguagem neutra, que por sua vez, como gírias, e regionalismo, deve ser livre àqueles que fora do esquadro oficial pretendam dela fazer uso em suas relações interpessoais informais.

Do contrário, deveríamos proibir o “mermaum” dos cariocas, o “e-aí-brow” da zona leste paulista, e por aí fora, ou seja, não faz nenhum sentido o Estado se preocupar com gírias, regionalismo e linguagens de cada “tribo” no campo da informalidade, como não nos parece correto no âmbito público o uso de linguagem que não a gramatical em vigência legal objeto de tratado com países lusófonos, internalizados e regulamentados pelo Congresso Nacional.


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